Meio Ambiente
Postado em 21 de agosto de 2026 as 17:42:18
Um freezer cheio de animais silvestres abatidos e congelados chegou ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), de Vitória da Conquista, na noite desta quinta-feira (20). A apreensão foi realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), durante operação em municípios da região, e evidencia a prática ilegal da caça e da comercialização de animais silvestres.
Entre os animais apreendidos estão tamanduás, tatus e veados. Segundo o coordenador do Cetas, Aderbal Azevedo, a operação do Ibama foi realizada ao longo da semana em municípios como Itapetinga, Brumado, Poções e Anagé. “Ontem chegou uma apreensão de um crime grande contra a natureza. Na verdade, uma demonstração clara de um abate predatório e também de um comércio, de um tráfico de carne de animais silvestres. A gente fica abismado com esse tipo de coisa”, afirmou o coordenador.
De acordo com Aderbal, o material apreendido reúne cerca de 10 animais inteiros, além de cortes e partes de outros animais. Por se tratar de produto de origem ilegal, não poderá ser destinado ao consumo. O destino é a incineração. “Esse material a gente vai ter que incinerar, porque é uma coisa proibida, ninguém pode consumir. A gente tem essa obrigação de não permitir que nem para os animais daqui do Cetas esse material seja oferecido”, explicou.
O coordenador também chama atenção para a cadeia de consumo que mantém a prática da caça ilegal. “Às vezes, a gente ouve muita gente dizer: ‘Ah, eu não caço’, mas consome. Naturalmente, esses animais que foram abatidos têm um fornecedor e um consumidor”, destacou.
A assessora especial da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Ana Cláudia, ressaltou que a situação serve de alerta para os impactos causados pela caça ilegal e reforça a necessidade de conscientização da população. “A caça de animais silvestres é crime. A gente sabe disso, mas continua, infelizmente, sendo feita no Brasil. Nós recebemos ontem à noite essa quantidade de animais vítimas da caça ilegal, em regiões próximas, muito próximas aqui de Conquista. E a gente sabe que isso é uma conduta totalmente proibida”, declarou.
A caça de animais silvestres sem autorização é considerada crime ambiental pela Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. A legislação estabelece punições para quem mata, persegue, caça, apanha ou utiliza animais silvestres sem a devida permissão, além de prever sanções relacionadas à comercialização, aquisição, transporte e utilização de produtos provenientes da fauna silvestre de origem irregular.
Segundo Ana Cláudia, o enfrentamento aos crimes contra a fauna exige a atuação integrada dos órgãos ambientais. “A Semma tem feito uma parceria muito importante com o Inema e o Ibama para que possamos, juntos, combater o tráfico de animais silvestres”, destacou.
Por meio da Semma, a Prefeitura de Vitória da Conquista desenvolve ações voltadas à proteção do meio ambiente e à preservação da fauna silvestre, além de atuar de forma integrada com órgãos estaduais e federais. A parceria com o Inema e o Ibama fortalece o trabalho de fiscalização, acolhimento e encaminhamento de animais, bem como o combate às práticas que ameaçam a biodiversidade.
A apreensão reforça a importância da conscientização da população sobre a preservação da fauna. Além de ser crime, a caça predatória compromete espécies e interfere no equilíbrio dos ecossistemas. Por isso, a orientação é não caçar, não comprar, não comercializar e não consumir animais silvestres ou produtos de origem ilegal. A proteção da fauna é uma responsabilidade coletiva e depende tanto da atuação dos órgãos ambientais quanto da colaboração da sociedade no combate aos crimes contra o meio ambiente.







