O patrimônio social e a memória coletiva são pilares fundamentais para a construção e manutenção da identidade de um povo, funcionando como uma ponte entre o passado, o presente e o futuro. Em Vitória da Conquista, essa missão é desempenhada pelo Arquivo Público Municipal, por meio de uma equipe de 20 colaboradores que assegura a organização e a preservação do acervo documental, mantendo o legado da cidade para as presentes e futuras gerações. E neste Dia do Trabalhador, nada mais justo que lembrar desses profissionais que se esforçam diariamente para manter viva a história local.

Criado em 1978, na gestão do ex-prefeito Raul Ferraz, o Arquivo Público Municipal tem a missão de centralizar e preservar documentos de valor histórico, estatístico e informativo sobre a região. Atualmente, a unidade conta com uma equipe multidisciplinar composta por coordenação, bibliotecário, técnicos e auxiliares de arquivo, além de agentes administrativos , secretárias, auxiliares de higienização e limpeza, além de estagiários, que juntos asseguram a integridade do acervo.

Preservar o  passado para construir o futuro

Servidora há 36 anos no Arquivo Municipal, Sônia de Souza diz se sentir satisfeita com o trabalho e relembra que já ajudou diversas pessoas. Uma delas foi a esposa de um guarda municipal falecido, que precisava de um documento que deveria ser levado ao INSS para restituição de um benefício. “Já ajudamos muita gente aqui. Por conta de um documento que estava aqui (no Arquivo), ela conseguiu comprovar o estado civil e teve o seu benefício restituído. É por isso que eu gosto do meu trabalho, me sinto muito satisfeita com o que faço”.

Filho de retirantes nordestinos, o historiador Jailson Ribeiro atua no Arquivo há mais de 15 anos, auxiliando no controle logístico documental. “Trabalhar com memória é bem interessante. Aqui temos a grande memória institucional da cidade e cabe às pessoas transformar essa memória em história. Aqui a sua mente se expande. Trabalhar no Arquivo é ver a capacidade do ser humano em criar o registro”.

Maria das Graças Archieris iniciou sua trajetória profissional no Arquivo no ano de 1999, quando o Museu Padre Palmeira abrigava diversos setores do município, como exposições, mostras de artesanato e fotografias e, também, o próprio  Arquivo Municipal.

Ela ressaltou que considera o trabalho gratificante. “Eu amo esse lugar, amo atender o público e fazer pesquisas com as plantas arquitetônicas. Isso aqui é uma faculdade, eu acho tão importante trabalhar no Arquivo, porque além do valor histórico existe o valor administrativo”.

Neste dia 1º de maio, o coordenador Robson dos Santos destacou a relevância do serviço e parabenizou todos os profissionais que atuam no município. “É preciso darmos a devida importância ao trabalho de todos os setores, como os garis, trabalhadores domésticos, professores, agentes de segurança pública e da área médica. Sinto muito orgulho, respeito e gratidão pela nossa equipe”.

Conheça a dinâmica do Arquivo Municipal

No local, a divisão é feita entre Arquivo Intermediário e Arquivo Permanente, ou Histórico, sendo possível encontrar jornais, correspondências e fotografias. No Intermediário estão os documentos que possuem valor administrativo, ficando restrito à administração. Nele, os documentos permanecem por tempo determinado, antes de serem avaliados se irão para o Arquivo Permanente ou se serão descartados, indo para a reciclagem.

Já o Arquivo Permanente ou Setor Histórico é o local mais visitado pelos professores, estudantes e pesquisadores. Os documentos que adquiriram valor histórico, probatório ou informativo ficam guardados nesse local. Nesse acervo é possível encontrar setores como o de jornais e periódicos, o documental, fotográfico e o cartográfico.

Bibliotecário do local, Fábio Freitas ressalta que o espaço se constitui como o guardião da memória da cidade. “Quando a gente pensa em Arquivo, pensamos em um lugar que só guarda documentos, mas aqui temos muito mais que isso. Aqui os funcionários são muito envolvidos com as pesquisas e, principalmente, em ajudar as pessoas que chegam aqui. Quando não encontramos um documento, ficamos preocupados. Mas quando encontramos, a gente fica extremamente feliz”.