Adolescentes, adultos e idosos discutiram sobre o impacto das mudanças climáticas em Vitória da Conquista

O Núcleo de Cidadania de Adolescentes (Nuca) promoveu, na última segunda-feira (23), um diálogo sobre mudanças climáticas e resiliência climática no Cras Jardim Valéria. A ação reuniu adolescentes do Nuca e usuários do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), em um momento de troca entre diferentes gerações. O objetivo foi refletir sobre diversidade étnico-cultural, biomas e as necessidades de cada território, estimulando o pensamento coletivo sobre como as comunidades podem se adaptar às transformações ambientais.

De acordo com a mobilizadora do Nuca, Laís Senna, a proposta visa ampliar o olhar dos adolescentes sobre o tema e incentivar o protagonismo juvenil. “A gente entende que falar sobre mudanças climáticas é também falar sobre cidadania. Quando os adolescentes participam desse debate, eles percebem que podem ser agentes de transformação dentro da própria comunidade. Nosso objetivo é fortalecer esse protagonismo e promover um diálogo que envolva diferentes gerações”, destacou.

A programação contou com a participação de uma equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), que apresentou o conceito de resiliência climática e contextualizou os impactos das mudanças do clima na vida das pessoas. Em seguida, os adolescentes do Nuca conduziram uma roda de conversa com os usuários do Cras, em que crianças, jovens e adultos compartilharam suas percepções sobre a relação com a natureza e as transformações percebidas ao longo dos anos. A atividade foi encerrada com uma roda de capoeira e apresentação dos adolescentes que participam do serviço.

Lázaro

Em um cenário em que eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes, a resiliência climática é compreendida como a capacidade de adaptação de comunidades e ecossistemas diante dos impactos do aquecimento global, reduzindo danos causados por secas, enchentes e outras situações adversas. “Resiliência climática é a capacidade de pessoas ou cidades se adaptarem e reagirem aos efeitos das mudanças climáticas. Trouxemos essa discussão para engajar a comunidade e ajudá-la a compreender como essas mudanças já impactam o dia a dia e como a consciência ambiental pode contribuir para a construção de um futuro mais sustentável”, explicou o engenheiro agrônomo da Semma, Lázaro Ribeiro.

Para a integrante do Nuca, Lívia Viana, o debate foi uma oportunidade de aprendizado e troca de experiências. “Nossa geração pode contribuir para melhorar o meio ambiente com atitudes simples, como descartar o lixo corretamente, reciclar e reaproveitar alimentos. Esse momento foi muito importante porque pudemos conversar com outras gerações e entender como as mudanças estão acontecendo ao longo do tempo. Esse diálogo amplia nossa visão e nos ajuda a pensar em soluções para o futuro”, afirmou.

Usuária do Cras Jardim Valéria e mãe de uma integrante do Nuca, Eliane Lopes relatou que percebe diferenças significativas em relação ao passado. “Na nossa época, não recebemos a mesma orientação sobre a preservação da natureza. Hoje, podemos ensinar às crianças a importância de não jogar lixo no chão, de evitar o desmatamento e de proteger o meio ambiente, algo que antes não era tão discutido”, destacou.

Encerrando as atividades, o instrutor de capoeira do Cras Jardim Valéria, Jhobi Monteiro, conduziu um diálogo sobre a relação da capoeira com a natureza. Ele explicou que a própria origem da palavra “capoeira” remete ao ambiente natural, significando “mato ralo”, e destacou que os instrumentos utilizados na roda são confeccionados com materiais extraídos da natureza, como a madeira do berimbau. “Desde sua origem, a capoeira tem uma ligação muito forte com as matas e com os povos originários. Em um grupo de capoeira, trabalhamos valores que vão além do movimento corporal, como o respeito, a convivência e o cuidado com o meio ambiente. Nem todos aqui vão se tornar capoeiristas, mas queremos que todos levem essas reflexões para a vida”, afirmou o instrutor.