O Centro de Referência da Assistência Social (Cras) do Pedrinhas e o Centro de Convivência do Idoso (CCI) reuniram usuários de todas as idades em uma roda de conversa para debater estratégias de combate ao abuso e à exploração sexual contra criança e adolescentes.

De acordo com as gerentes das unidades socioassistenciais, reunir os usuários intergeracionais é também uma estratégia de reforçar que toda família deve estar reunida no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. “Nós pensamos em reunir esse grupo intergeracional, adulto e infantil, para unir o cuidador com o público que precisa de cuidado. Assim, ao mesmo tempo que o primeiro aprende sobre como cuidar e como observar esses sinais, o outro recebe informações sobre o que pode ou não a respeito do seu corpo”, afirmou a gerente do Cras Pedrinhas, Cleonice Aragão.

Durante a roda de conversa, foram debatidos temas como a importância dos cuidadores estarem atentos aos sinais de violência nas crianças, as diferentes formas de abuso e como denunciar casos identificados. “O objetivo é conscientizar as famílias para prevenir o abuso sexual infantil e a gente quer fazer isso através da informação. O saber empodera e proporciona que haja uma mudança efetiva contra essa realidade que é a violência e o abuso sexual de crianças e adolescentes”, afirmou a gerente do CCI, Eliane da Cruz.

Quem mediou a roda de conversa foi a delegada da Polícia Civil, Rosilene Correia, que defendeu a necessidade de que as famílias estejam preparadas para denunciarem casos de violência, independente de quem seja o agressor. “Um dos direitos das crianças e dos adolescentes é o de não terem seus corpos violados. Toda vez que uma criança ou um adolescente é abusado sexualmente, a denúncia tem que fazer parte da família. A gente gostaria mesmo era que não ocorresse o crime, mas infelizmente ocorre e precisa ser denunciado”, pontuou a delegada.

Para Marilene Brito, a palestra foi essencial para conscientizar as famílias da necessidade de denunciar casos de abusos sexuais nas comunidades. “A palestra de hoje foi muito bacana, gostei muito. Espero que tenha outras discussões assim novamente. É importante discutir formas de proteger nossas crianças”, afirmou Marilene, que frequenta o CCI há mais de 15 anos.

Recém integrado no CCI, Júlio Amorim também concorda que é essencial discutir o abuso sexual entre os usuário da unidade. Segundo ele, discutir o tema faz com que as pessoas se atentem para a necessidade de proteger as crianças. “Discutir o abuso sexual infantil é muito importante. Assim, por meio da informação, a gente ganha forças contra esse mal que está agindo no mundo. Muitas pessoas têm medo de denunciar o agressor e falar sobre isso é importante porque traz conscientização para as pessoas”, afirmou Júlio.

Escutar é Proteger

Essa ação faz parte da programação da campanha Faça Bonito: Escutar é Proteger, lançada pela Prefeitura, em parceria com Comitê Municipal de Gestão Colegiada da Rede de Cuidado e Proteção Social das Crianças e dos Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência (CMRPC).

Ainda na programação, até o dia 29 de maio, serão realizadas ações territoriais em diferentes locais da zona rural e da zona urbana de Vitória da Conquista, visando a mobilização da população conquistense para o enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.