A exposição das mulheres na mídia é um tema tratado com frequência nos espaços universitários, particularmente nas escolas de Comunicação. Mas com o objetivo de trazer esta questão para mais perto da comunidade, o coletivo cultural jovem O Rebucetê promoveu na tarde desse domingo, 22, a Roda de Conversa Mídia e Mulher. O debate foi realizado na Praça da Juventude, no quiosque próximo ao lago artificial, e contou com a presença da professora do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Carmen Carvalho, da representante da Marcha Mundial de Mulheres e estudante da área, Tâmara Terso, e da militante do Movimento Hip Hop e integrante do Grupo Elo, Vanessa Lopes.

Carmen Carvalho

A professora Carmen, que é do Rio Grande do Sul e já morou em Roraima e na Espanha, relatou sua experiência e situações observadas ao longo desse percurso no que diz respeito à mercantilização e à padronização da mulher. “Foi muito bom trazer essa discussão para a praça, a fim de que se reflita sobre o papel da mulher, e ouvir as pessoas que já estão no movimento social e têm uma história de estudo sobre o que está acontecendo no Brasil com a mulher. Espaços públicos como este servem para reflexão”, declarou a estudiosa.

Tâmara Terso

Já a estudante Tâmara Terso explicou o objetivo da Marcha Mundial de Mulheres e das lutas feministas: conquistar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, isto é, garantir a participação da mulher na sociedade de forma equivalente à dos homens. Isso, segundo ela, só acontecerá a partir do empoderamento da mulher.

“Precisamos disputar os espaços de comunicação para acabar com o machismo na sociedade”, declarou. Tâmara ressaltou também que é importante a aprovação do novo Marco Regulatório das Comunicações no Brasil. “Este é o primeiro debate, e espero que não seja o único, que possamos lançar aqui o nosso projeto de lei pelo Marco Regulatório em breve e que constituamos outros mecanismos de disputa de comunicação, porque sabemos que a comunicação é um instrumento importante de produção e de difusão de conhecimento, e ela deve estar a serviço do povo, que é a mulher, o jovem negro e a população que mais precisa”, salientou a jovem.

Vanessa Lopes

Para a outra jovem, militante do hip hop, a discussão também foi importante: “Como eu sou mulher e estou no movimento que é composto na sua maioria por homens, é importante que eu participe desse espaço de discussões sobrea mulher, para que eu possa desenvolver também um trabalho melhor dentro do espaço em que eu estou inserida”, relatou Vanessa.

Luciana Nery

A professora universitária, Luciana Nery, acompanhou o debate ao lado de seus dois filhos e aprovou a ideia de se debater o assunto: “A questão da mulher tem que ser discutida mesmo. Odiálogofoi bastante profícuo. Cada uma colocou sua forma e as dificuldades de ser mulher na sociedade, formas diferentes do feminismo, mas todas muito inteligentes. Gostei muito, e os meninos precisam estar aqui, estar ouvindo, e a juventude precisa discutir isso. O espaço é maravilhoso, adorei”.