Célia Silva é servidora pública municipal há 14 anos e deu aulas para 30 candidatos ao certame; até agora, metade da turma já foi aprovada

Célia Silva

Entre 1994, ano em que se formou como professora, e 1999, quando foi aprovada em concurso público e tornou-se servidora efetiva Prefeitura de Vitória da Conquista, Célia de Jesus Silva trabalhou em escolas rurais e urbanas do município. Entre crianças e adultos, ela perdeu as contas de quantas pessoas alfabetizou nesse período. Célia leva a prática do magistério tão a sério que, mesmo em seu novo trabalho, continuou a apresentar as pessoas ao universo da leitura e da escrita. Só que desta vez, ela o fez com alguns colegas de trabalho.

“Vi que eles precisavam da minha ajuda. E, nessa parte da educação, por um vizinho, um colega, um amigo, o que eu puder fazer eu faço”, explica a servidora. “Hoje eles já estão aí, sabendo ler e assinando o nome na folha-ponto. Isso é uma alegria para mim e para eles”, comemora.

O voluntarismo de Célia voltou à cena por ocasião do último concurso público promovido pela Prefeitura, em agosto de 2013. Nos dois meses que antecederam a data da realização das provas, ela organizou uma turma de 30 alunos inscritos no certame e deu aulas sobre conteúdos como língua portuguesa, atualidades e conhecimentos gerais. As aulas aconteciam de segunda a sexta, entre as 19h e as 21h, na Escola Municipal Cláudio Manuel da Costa – onde ela já lecionava como voluntária para uma turma do programa Todos pela Alfabetização (Topa), do Governo Estadual.

‘Aprovada’ – Todos os alunos eram colegas de trabalho de Célia. Entre eles, havia candidatos aos cargos de auxiliar de serviços gerais, gari, oficial de obras e auxiliar administrativo. Até o momento, nada menos que quinze deles foram aprovados no concurso e aguardam suas chamadas. O resultado a deixou feliz. “Parecia que era eu quem tinha sido aprovada novamente”, confidencia.

Essa média de 50% de aprovação tornou-se uma espécie de tradição pessoal para Célia. Ela alcançou resultado semelhante no concurso anterior, em 2007, quando deu aulas para 20 candidatos e conseguiu que metade deles ingressasse no serviço público municipal. O feito também já havia sido atingido no primeiro concurso, o de 1999, quando também ela disputava uma vaga. Na época, ela organizou um grupo de estudo, em que aprendia ao mesmo tempo em que ensinava aos colegas. Resultado: metade do grupo acabou sendo aprovado – inclusive Célia, que, no resultado final, chegou a ver os nomes de alguns de seus “alunos” em colocações melhores que a sua. Hoje, ela se diverte com o fato. “Não fiquei triste, não. Eu queria era tê-los junto comigo mesmo”, diz.

Joseval dos Santos

‘Atitude bem pensada’ – Desde que concluiu o Ensino Médio, em 2003, o jardineiro Joseval dos Santos jamais havia posto os pés novamente numa sala de aula. Inscrito para o concurso público da Prefeitura, ele decidiu que, para estudar de forma mais eficaz, seria melhor fazê-lo em grupo. Atendeu então ao convite de Célia e entrou para a turma que ela havia organizado. O resultado mostrou-lhe que a decisão valeu a pena: ele foi aprovado e aguarda a chamada para o cargo de oficial de obras, no qual vai desempenhar as mesmas funções às quais já está habituado há 20 anos. “Foi uma atitude muito bem pensada, não só para mim, mas também para todos os que participaram das aulas”, ele reconhece, referindo-se à iniciativa pedagógica da futura colega de trabalho.

“As provas de concursos costumam ter muitas ‘pegadinhas’. Então, quanto mais a gente adquirir conhecimentos, melhor”, afirmou Joseval, satisfeito por estar cada dia mais próximo da tão almejada estabilidade profissional. “Esses estudos contribuíram muito. É importante sempre renovarmos o nosso aprendizado”.