As dores eram constantes, mas os exames de imagem ou laboratoriais não apresentavam evidência de inflamação nos locais de dor. E, após passar por vários especialistas chega o o diagnóstico: fibromialgia. Assim aconteceu com a contadora Adriana Chaves Meira, que trabalha na Prefeitura de Vitória da Conquista há 22 anos, e outras servidoras municipais de Vitória da Conquista que, além das dores no corpo, sofrem emocionalmente diante da relação com o trabalho. Atento a essas mulheres, o Governo para Pessoas, por meio da Secretaria de Gestão e Inovação (Semgi), criou o grupo terapêutico Mulheres de Fibra.

“Esse grupo faz a gente compreender as nossas dores, nossos limites. Sensibiliza os gestores com relação a esta doença que não apresenta sinais, além de perceber que outras pessoas estão na mesma situação. Eu fiquei muito encantada com essa proposta da gestão de juntar servidoras porque eu me senti acolhida”, confessou Adriana, que faz questão de estampar que é mãe, profissional, guerreira e fibromiálgica.

O grupo é formado por 16 mulheres que, quinzenalmente, às sextas-feiras, se encontram com os psicólogos do Núcleo de Atenção e Saúde do Trabalhador (NAST), Ernandes Amorim, Leila Lopes e Verbênia Ribeiro. Hoje (15), foi realizado o quarto dos oito encontros previstos.

Adriana

Segundo Leila, o que se pretende com esses bate-papos é a exposição dos sentimentos, a ajuda mútua entre seus participantes, o suporte psicoterápico e a orientação para o autocuidado. “Esperamos também que as pessoas que não sofram com a fibromialgia tenham um olhar de cuidado, de respeito, porque uma questão que as participantes trazem é a incompreensão dos colegas e familiares”, revelou.

Leila Lopes

A ideia da formação do grupo surgiu devido ao alto número de servidoras com diagnóstico de FM que passaram no atendimento de Psicologia Clínica e Psicologia Organizacional, entre setembro de 2019 e março de 2022. Só no primeiro semestre deste ano, 599 servidores passaram pelos atendimentos psicológicos, 10% deles sofrem da doença.

“São pessoas, em sua maioria mulheres, que estão em sofrimento emocional de estar lidando com essa dor. Mais de 50 servidoras nos procuraram com interesse em participar do grupo e assim que terminar esse, vamos abrir outra turma,” disse Leila.

A doença

A fibromialgia (FM) é uma condição que se caracteriza por dor muscular generalizada, crônica (dura mais que três meses), mas que não apresenta evidência de inflamação nos locais de dor. Ela é acompanhada de sintomas típicos, como sono não reparador (sono que não restaura a pessoa) e cansaço. Pode haver também distúrbios do humor como ansiedade e depressão, e muitos pacientes queixam-se de alterações da concentração e de memória.