A dona de casa Reinalva Pereira Rocha viveu uma situação que nunca imaginou: ver as águas do Rio Pardo chegarem tão próximo à sua casa, no povoado de Barreiro, em decorrência das fortes chuvas na última semana. “A distância que ficou foi pouquinho pra entrar em casa, ficou no portão de casa já, quando eu tive que sair”, conta, em meio a lágrimas.

Reinalva se emociona quando fala da volta para casa

Na quarta-feira (29), Reinalva encarou outra experiência indesejada, ao entrar em um helicóptero pela primeira vez, quando foi resgatada em uma operação viabilizada pela Prefeitura de Vitória da Conquista. Após vencer o medo de voar, ela chegou em segurança junto com seus pais, esposo e filha, ao abrigo provisório da Escola Municipal Paulo Setúbal, em Inhobim.

“Só choro com vontade de ir pra minha casinha”, diz Reinalva. “Aqui não tá faltando nada pra nós, graças a Deus. Alimentação, atendimento, roupa, remédio, não tá faltando. O problema é que a saudade de casa da gente é muita, né? É muita vontade de voltar”, desabafa.

A saudade tem alimentado os planos para o futuro: quando retornar a Barreiro, Reinalva quer construir uma casa na parte mais elevada do seu terreno, para não voltar a correr o risco que correu há dias. “Se Deus me ajudar, e me der condições de fazer, eu queria uma pra cima da outra que eu tô morando”, explica.

 

Maria Madalena está satisfeita com o abrigo, mas não vê a hora de voltar para o seu lar

Maria Madalena Alves Queiroz deixou o povoado na mesma operação que resgatou Reinalva, antes de a água chegar próximo à sua casa. Ela, a filha, a irmã e os dois netos também chegaram em segurança ao abrigo. Em poucas palavras, ela resume o que fará quando puder retornar ao lar: “Agradecer muito a Deus por estar viva e retomar minha vida de antes.”

A cheia do rio não chegou a ameaçar a casa de Clarice dos Santos Pereira, mas a água da chuva entrou por um dos quartos e trouxe prejuízos para ela, o esposo e as duas filhas. Ela conta que também está com muita vontade de retornar à sua residência. “Se Deus abençoar que nós tivermos assistência lá, é tentar recomeçar do zero”, planeja.

 

Clarice e o pai, Nilson

Enquanto não voltam para casa e refazem a vida no lugar onde sempre viveram, Reinalva, Maria Madalena e Clarice compartilham força e esperança, no espaço improvisado de casa que, por enquanto, é o lar de todas as famílias do Barreiro. Ali, têm a atenção de assistentes sociais, psicólogos, médicos, enfermeiros e outros servidores, que fazem tudo para que não falte nada para aquelas famílias, mesmo sabendo que é muito pouco diante do sonho de voltar para casa, reconstruir a vida e nunca mais precisar mais sair daquele jeito.