Mais de 40 jovens, todos próximos dos 20 anos de idade e matriculados em cursos de graduação de diferentes áreas, iniciaram, neste sábado (25), uma maratona que deverá durar até as 18h de domingo (26), na sede do Hub Conquista.

Eles participam da primeira edição do HaCkonquista – Hackathon de Desafios Públicos de Vitória da Conquista, uma iniciativa promovida pela Prefeitura, em parceria com o Hub Conquista, o Sebrae, a Cubo Soluções em TI e a Unex.

Divididos em equipes, os participantes estarão em atividade durante a noite e a madrugada, sem interrupções, envolvidos no desenvolvimento de soluções para problemas práticos enfrentados diariamente pela população de Vitória da Conquista.

“É um momento histórico, porque envolve a comunidade acadêmica na busca por soluções para situações e problemas”, explicou o secretário municipal de Gestão e Inovação, Romar Barros. “É algo novo. Estamos captando essas ideias que vêm de fora e absorvendo-as como soluções para o nosso dia a dia”, acrescentou o secretário.

Romar Barros

Nas competições do tipo hackathon, as equipes disputam entre si como maratonistas, com o objetivo de criar ideias, apresentá-las e apontar como podem ser desenvolvidas de forma prática, beneficiando um grande número de pessoas. No caso do HaCkonquista, os desafios em pauta são os seguintes:

– Acessibilidade: como melhorar o acesso de ônibus para pessoas cegas?

– Políticas públicas para mulheres: como apoiar mulheres em situação de violência nas vias de Vitória da Conquista?

– Meio ambiente: como minimizar a incidência e promover melhores condições de bem-estar a animais em situação de rua?

– Infraestrutura: como agilizar a identificação de necessidades das vias públicas do município?

Leide Hellen (à esq., de preto)

“Ideias que saem do papel”

Acessibilidade no transporte público foi o tema escolhido pela equipe da estudante Leide Hellen, 20 anos, atualmente no 5º semestre do curso de Direito da Faculdade Santo Agostinho (Fasa). Segundo ela, a escolha se deve a motivações de ordem pessoal. “Eu sou uma pessoa com deficiência auditiva. Então, foi por essa subidentificação com o tema e pela vontade de sempre querer trazer essa vertente de acessibilidade, principalmente aqui na cidade”, explicou Leide Hellen.

No entanto, ela afirmou que a equipe também se motiva por um senso de coletividade, reforçado pela sensação de desafio e pela competitividade – afinal, há premiações em jogo. Segundo Leide, as motivações se misturam. “Principalmente, por ver as nossas ideias saindo do papel. Ou seja, ver a implementação do que a gente propôs, no caso, para a Prefeitura, mesmo”, disse a estudante. “Ver as nossas ideias saindo do papel vai ser crucial pra gente. Vai ser um marco”, garantiu.

Lívia Rocha

“Devíamos ter mais espaços como este”

Embora seja sua estreia num hackathon presencial, a estudante Lívia Rocha, 20 anos, já conhece bem o funcionamento desse tipo de competição. Os outros de que ela participou foram em plataformas virtuais, mas com regras bem semelhantes. “Sempre participei, desde o final do Ensino Médio. É uma coisa que eu gosto bastante. Eu evoluí muito como pessoa e profissionalmente, ao participar dessas iniciativas”, contou Lívia, que cursa o 4º semestre de Ciências da Computação na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

Segundo Lívia, as discussões suscitadas por eventos como esse podem trazer consequências positivas para a comunidade. “Existem muitas iniciativas assim, e eu acho que Vitória da Conquista deveria trazer mais espaços como este, porque é muito importante surgir muitas iniciativas e soluções legais”, comentou.

“Formar produtos e transformar a sociedade”

Enquanto estiverem reunidos no HaCkonquista, os participantes têm acesso a conteúdos de nivelamento metodológico e mentorias temáticas, como a que foi ministrada pelo administrador Glauber Ferraz, sobre como se formular ideias e apresentá-las de forma eficiente – algo que, em regra, todas as equipes terão de fazer no segundo dia do evento.

“A inovação não começa da noite para o dia, e sim diariamente. Então, quando tem a ideia, um empresário ou desenvolvedor precisa criar métodos para desenvolver. E, dentro desse método, é avaliar o quão real essa ideia é para a aceitação do mercado”, explicou Glauber, que trabalha no Sebrae – justamente na área de inovação – desde 2009.

Como defendeu o palestrante, a aceitação de novas ideias precisa ser baseada nas consequências que a inovação poderá trazer para o público. “Vamos aprender como trabalhar as ideias para formar produtos e, através desses produtos, transformar a sociedade. A nossa sociedade muda quando tem coisas novas e a criatividade se mistura com a inovação quando gera valor para a sociedade”, argumentou Glauber.

Glauber Ferraz

Prefeitura pretende absorver propostas

Segundo Romar Barros, as soluções encontradas pelas equipes e apresentadas no segundo dia serão analisadas de forma criteriosa pelo Governo Municipal. “Uma vez que eles produzirem essas propostas, elas serão submetidas a uma banca examinadora. Essa banca vai selecionar parte desses projetos e o Município já vai absorver alguns. Outros, a gente vai buscar outras soluções e agregar com as propostas”, informou o titular da Secretaria Municipal de Gestão e Inovação (Semgi).

Premiações

As premiações do HaCkonquista devem incluir vagas de estágio na Prefeitura, certificados, mentorias e outras oportunidades de aprendizado posteriores ao evento, a fim de permitir que haja a continuidade do desenvolvimento das soluções após a maratona.