Há 48 anos, o Conservatório Municipal disponibiliza aulas gratuitas de música à população de Vitória da Conquista. Milhares de pessoas já passaram por lá. O público é bastante diverso: as turmas incluem de crianças a partir de 8 anos de idade até idosos. Além disso, o espaço está atento à questão da inclusão, recebendo alunos cadeirantes e com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

No último semestre, eram 430 alunos ao todo, hoje são 390, que fazem cursos de violão popular, violão clássico, teclado, piano, teoria musical, flauta transversal e saxofone, além de estar sendo retomado o canto coral.

Os cursos são de iniciação musical, ou seja, o aluno não necessariamente precisa chegar com alguma aptidão ou conhecimento na área. As aulas envolvem teoria e prática e se estendem por dois anos (quatro semestres). Os alunos de violão e piano têm a possibilidade de estender o curso por mais dois anos, para integrar o campo de repertório.

No corpo profissional, há oito professores com graduação em Música ou longa experiência na área. O Conservatório também vem contando com a colaboração de uma pedagoga, que auxilia no projeto político pedagógico e nas questões ligadas ao regimento interno.

Com a meta de continuar evoluindo para ajudar a transformar a vida das pessoas com a música, o Conservatório está buscando parcerias para integrar outros campos profissionais, a exemplo de psicologia organizacional e pedagogia voltada à área musical. O objetivo é ajudar os professores a construir métodos e módulos para aperfeiçoar as aulas e o serviço oferecido.

De aluno a coordenador

O atual coordenador do espaço, Alex Lacerda, começou sua trajetória como aluno do Conservatório, em 2007. Após concluir o curso de violão, ele também estudou Licenciatura em Música e pós-graduação em Musicoterapia.

“Acho que é uma responsabilidade e um prazer muito grande fazer parte desta instituição e fazer o melhor, porque o Conservatório fez o melhor por mim, que foi me apresentar a música, o trabalho com a música e o que ela é capaz de fazer pelo ser humano, em termos, por exemplo, de inclusão, de interação. A música tem um poder muito grande. Meu sentimento é de retribuir”, afirmou.

Dever cumprido

Há 22 anos, Geslaney Brito é professor de violão clássico no Conservatório de Música. Para ele, um dos sentimentos que predomina nessa experiência é a de dever cumprido. “Só o fato de a gente trabalhar com arte e educação, a gente tem um sentimento de compleição e de troca. Porque, além de só passar o conhecimento, a gente acaba construindo o conhecimento com o aluno. E vinculando essa questão do poder da arte, da praticidade que tem a arte, vinculada com as outras linguagens da educação”, disse.

Juntamente com o professor Paulo Macedo, Geslaney já escreveu três livros detalhando o método criado pela dupla para aulas de violão popular. Atualmente, eles também estão desenvolvendo um método próprio para o violão clássico. Recentemente, uma composição de Geslaney foi premiada com a primeira colocação, na categoria melhor letra, no 17º Festival de Música Brasileira de Paracatu (MG), realizado entre 5 e 10 de julho.

Avaliação positiva

Sérgio Amaral também trabalha como professor, mas no Conservatório, ele é aluno do segundo semestre de violão clássico. O desejo de aprender a tocar o instrumento se intensificou durante a pandemia e a oportunidade surgiu como um lazer diante de todo o cenário.

“Antes de eu conhecer, eu não imaginava que seria tão legal assim. Fui muito bem atendido, todos os profissionais são excelentes, o professor de teoria musical entende bastante e tem muita paciência com a gente. O método é um método muito bom, eles desenvolveram um material didático bem adequado pra gente. Então, de quando eu entrei aqui, tenho conseguido ter uma evolução legal”, contou o estudante.