O Arquivo Público Municipal de Vitória da Conquista tem por finalidade coletar e manter toda a documentação e dados informativos de interesse dos órgãos governamentais e do público em geral. E parte desse acervo, mais especificamente, os documentos do período militar serão apresentados ao público nesta quinta-feira, 22, na antessala da Casa Legislativa conquistense durante a audiência pública para oficializar a instalação da Comissão Especial da Verdade no município.

Intitulada “Memória do golpe em Conquista”, a exposição faz referência ao 6 de maio de 1964, ocasião em que 28 conquistenses foram presos pelo exército. “O arquivo tem como uma de suas funções representar um espaço de memória. Nesse sentido, a exposição será importante para levar o Arquivo Municipal para além do seu espaço físico, permitindo a leitura e interpretação de documentos da época”, explicou o coordenador do Arquivo Público Municipal, Afonso Silvestre.

Sobre a Comissão da Verdade – A Comissão será instalada no município para revelar a verdade e romper o silêncio em torno das violações de direitos humanos praticados durante o período da ditadura militar em Vitória da Conquista e contribuir com as comissões em nível estadual e federal. Na cidade muitas pessoas foram presas, inclusive o ex-prefeito, José Pedral Sampaio, e o vereador Péricles Gusmão.

O vereador Florisvaldo Bittencourt, autor do requerimento que originou a audiência, destaca que a comissão vai se dedicar para apurar os fatos da época. “Há uma importância simbólica desta audiência acontecer na Câmara, e esperamos que o auditório esteja lotado para presenciar que a mesma Casa que há 49 anos aprovava uma moção de aplauso para a ditadura e cassou prefeito e vereador agora repudia e corrige este erro, reafirmando o compromisso com a democracia, pois só a partir dela que construiremos um país melhor”, disse.

O evento vai contar com a presença do deputado estadual Marcelino Galo, do jornalista, escritor e ex-preso político, Emiliano José, do doutor em História, José Dias, do advogado e ex-preso político, Rui Medeiros, além de representantes do Grupo Tortura Nunca Mais, do Comitê Baiano da Verdade, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), universidades, estudiosos, historiadores que pesquisam o período da ditadura militar e entidades vinculadas aos direitos humanos.

Ficou acertado ainda que será assinado um acordo de cooperação durante a audiência. Todos os depoimentos das vítimas serão gravados para poupá-las de verbalizar novamente, em outros espaços, as más recordações que nunca as abandonaram. Além disso, o acordo permitirá o compartilhamento de informações e documentos entre as comissões, evitando a duplicidade de esforços.