Filme proporcionou aos jovens uma junção entre ficção e realidade

Uma mistura entre ficção e realidade. Assim foi a exibição de “Capitães de Areia” – um filme de Cecília Amado, baseado no romance do escritor Jorge Amado, que retrata os meninos de rua da década de 30, no último sábado, 31, durante a terceira sessão de cinema do Cinejuv, promovido pelo Programa Estação Juventude. A atividade foi destinada aos adolescentes que estavam em situação de rua e, atualmente, são atendidos pelo Centro de Referência Especializada em Assistência Social para a população infantojuvenil em situação de rua (Creas POP Criança e Adolescente).

Segundo eles, muita coisa há de parecido entre a película e suas vidas. Três deles falaram de suas impressões sobre o filme. * Os adolescentes foram identificados de acordo com suas habilidades.

Uma delas foi a “Bailarina”, de 13 anos. Ela comentou sobre em que “Capitães de Areia” se parece com sua realidade: “O carinho, a proteção e a amizade que tem entre eles, o laço forte”. Hoje, graças à atenção recebida no Centro de Referência, a bailarina se considera vencedora. “Consegui vencer na vida. Dia 16 de junho fará um ano que estou no Creas Pop. O que mais gosto lá é de participar do balé. Eu ganhei uma bolsa e valeu a pena estar no Centro”, contou.

Já o “Capitão”, de 11 anos, foi para a rua bem cedo, aos cinco anos de idade, por influência do seu irmão mais velho que na época tinha 12 anos. “Dormia um dia na rua e outro em casa”, contou o menino.

Há um ano, “Capitão” vive no Creas Pop. “É o melhor lugar que tem”, segundo ele. No serviço, ele gosta de jogar bola, além de ouvir música. Seus pais o visitam periodicamente.

Já a “Valente”, de 15 anos, aos 10 foi morar nas ruas. “A rua não leva ninguém a nada. Não dá coisas boas, só traz coisas ruins”, comenta. Valente participa do Creas Pop há dois anos.

Élder Santos

Kétia Damasceno

Oportunidades – Segundo os organizadores do Cinejuv, o propósito de exibir o filme “Capitães de Areia” é ressaltar que todos têm habilidades e podem usá-las para o seu desenvolvimento. “A vida sempre oferece oportunidades. Essa foi a mensagem que quisemos passar”, disse o assistente do Estação Juventude, Élder Santos. A secretária da Coordenação Municipal de Juventude, Kétia Damasceno, completou: “Devemos agarrar as chances que a vida dá, pois pode ser a única”, enfatizou.

Opinião semelhante teve a convidada para a sessão, Mickele Xavier. “Nós podemos mudar a nossa história. Não é porque temos uma dificuldade que não podemos transformar essa realidade”, disse ela que em 2005 fez um curso de informática na Rede de Atenção e Defesa da Criança e do Adolescente.

Mickele Xavier

No local, ela soube de uma seleção para o Programa Primeiro Emprego, do Governo Federal, e foi selecionada. Hoje, cursa filosofia e quer ser professora. Sobre a proposta do Cinejuv, Mickele declarou: “Achei interessantíssima a ação, porque está promovendo formação. Tenho certeza que os meninos não saíram daqui da mesma forma que entraram. E foi uma troca, pois eu também não estou saindo da mesma forma”, certificou.