A roda começou a ser feita timidamente pelos articuladores do hip hop de Vitória da Conquista. Em poucos minutos, no anfiteatro da Praça da Juventude, tinha gente de todos os locais da cidade dando a demonstração do breaking – dança de rua que faz parte da cultura hip hop. O público ficou atento aos passos que requer gingado e resistência, assim como a capoeira, outra dança da cultura negra que foi apresentada na solenidade de entrega da praça realizada pela manhã desse domingo, 22.

B-boy Brain

O B-boy Brain, 19 anos, como é chamado o dançarino desse estilo, é do Guarani e ficou feliz com a abertura do espaço para o hip hop. “Está massa, estou curtindo. Estávamos precisando mesmo, é melhor do que a galera fazer coisa errada. Tem o parquinho para as crianças, tem a quadra e o espaço para treinarmos nossa dança toda noite, está muito bom”, contou.

Durante toda a programação de entrega, cinco grafiteiros se dedicavam em deixar o muro do anfiteatro mais belo e com a cara da juventude conquistense, aliás com o jeito agregador que a mocidade tem. Além do grafiteiro e MC Quito, 21, que mora no Bruno Bacelar e é egresso do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), havia grafiteiros de Barra do Choça e Poções.

MC Quito

“É um intercâmbio que a gente faz sempre entre essas cidades”, explicou Quito, que ainda falou sobre o trabalho realizado por eles: “Como a música, o grafite tem vários estilos, aqui mostramos o wild style, o bombing e o persona. Fizemos um trabalho em conjunto, que chamamos de produção de grafite com temas livres, mas com o foco de alcançar a juventude. Muita cor, muito traço, para a galera passar e observar mesmo”.

Cristiano Santos

Um dos grafiteiros convidados foi Cristiano Santos, o Tiano, de Barra do Choça. Ele conta que achou o espaço interessante, “porque agrega toda a juventude, independente do estilo, da tribo. Um exemplo é este mural: fui convidado por Vanessa, militante do hip hop daqui em Conquista, e eu chamei outros amigos, e estamos realizando este trabalho”.

Vanessa Lopes, integrante do grupo Elos

Para Vanessa Lopes, integrante do grupo Elos, foi muito importante o Movimento Hip Hop ocupar aquele espaço. “Quando chamei os meninos dos coletivos de hip hop para estarem aqui foi com este argumento mesmo de ocupação de espaços públicos e de mostrar que temos um trabalho já consolidado na periferia da cidade de mais de dez anos e que tem dado frutos, a exemplo do Peti e do projeto Mais Educação, que dão outra oportunidade que não seja a criminalidade e as drogas”, comentou. Ela ainda declarou a importância da Coordenação da Juventude. “Com ela posta, eu senti mais facilidade de nos aproximarmos deste espaço”.

O Movimento Hip Hop, além do grafite e do breaking, tem outros dois pilares que são o DJing e o rap. Eles também se fizeram presentes na tarde desse domingo, levando animação e reflexão para crianças, jovens e adultos.