A desinstitucionalização e reintegração de pessoas com transtornos mentais na comunidade é uma tarefa a que a Coordenação de Saúde Mental da Prefeitura de Vitória da Conquista vem se dedicando com empenho nos últimos anos com o processo de implantação do Serviço Residencial Terapêutico (STR).

A Residência Terapêutica é uma moradia inserida na comunidade, oferecida às pessoas com transtorno mental, que permaneceram por mais de dois anos, de forma ininterrupta, vivendo em hospitais psiquiátricos e/ou hospitais de custódia e não puderam retornar para suas casas por já não existirem mais vínculos ou referências familiares.

A Residência implantada no município é do tipo II e tem capacidade para receber 10 moradores, mas, no primeiro momento, recebeu seis moradores: quatro pessoas que habitavam no Hospital Crescêncio Silveira (antigo Hospital Afrânio Peixoto) e outros dois moradores oriundos do Hospital Especializado Lopes Rodrigues (HELR), de Feira de Santana.

A Residência, que está funcionando desde o dia 06 de dezembro, conta com cuidadores que estão presentes 24 horas para ajudar os moradores nesse processo de retomada da vida. Além disso, o CAPS II é a referência no cuidado para esta casa e coordenará o projeto terapêutico.

A função da moradia é possibilitar a essas pessoas o retorno às rotinas da vida em uma moradia digna em um espaço de convivência social, que possibilite a reabilitação psicossocial e garanta o direito de cidadania. “Que possam usar a casa para reaprender a tomar o seu banho sozinho, ter o seu próprio guarda-roupas, deixar de comer num bandeijão ou quentinha e voltar a ter comida feita em casa de novo, coisas que são simples pra gente, mas que foram se perdendo para elas com o tempo de internação psiquiátrica”, explica Denise Rosa, gerente da equipe de desinstitucionalização.

As residências terapêuticas compõem a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e se configuram como dispositivos fundamentais no processo de desinstitucionalização.

“Vitória da Conquista foi contemplada com o recurso para implantação da Residência em 2013, mas somente na atual gestão os processos de implantação do equipamento foram concluídos. Foi uma grande conquista para a coordenação de saúde mental, para Secretaria de Saúde e para a gestão do Prefeito Hérzem Gusmão, não somente como o cumprimento de uma obrigação política, mas o cumprimento de uma obrigação moral com os moradores dos hospitais. “, afirma Thayse Fernandes, coordenadora de Saúde Mental.

O trabalho de implantação da Residência Terapêutica foi desenvolvido pela Coordenação de Saúde Mental e CAPS II em parceria com a equipe de desinstitucionalização do Hospital Especializado Lopes Rodrigues, em Feira de Santana. A equipe vem acompanhando e orientando sobre o processo de implantação do equipamento e esteve na última quarta-feira (18), em Vitória da Conquista, em reunião com equipe do CAPS II e Cuidadores da Residência, com a presença dos moradores para auxiliar no processo de implantação.

“Implantar a residência aqui é uma conquista para a Bahia, um avanço da reforma psiquiátrica no Brasil, de forma geral. Pensar de fato o que é garantia para essas pessoas, no que é correto e no nosso dever enquanto cidadãos de que não é justo que essas pessoas paguem uma pena de tantos anos de internação. Elas não precisam ser internadas e excluídas, elas precisam de tratamento e cuidado, e o melhor cuidado que tem é o da liberdade de poder se apropriar da vida de novo”, pontua Denise.