Usuários conheceram várias formas de manifestação da violência.

Violência doméstica e outras formas de abuso foram apresentadas, em forma de palestra, aos usuários do Centro de Convivência do Idoso (CCI), na tarde desta terça-feira (30) . A palestrante Daniela Cardoso, assistente social ligada ao Centro de Referência Albertina Vasconcelos (Crav), falou principalmente das formas de violência que vão além das agressões físicas. A atividade faz parte da programação do Agosto Lilás.

Um exemplo é a violência, nas modalidades psicológica e patrimonial, praticada contra pessoas idosas. Durante a ação, a assistente social convidou pessoas da plateia para dar demonstração de como alguns indivíduos tratam parentes idosos de forma grosseira ou se apropriam indevidamente de seus rendimentos pessoais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a aposentadoria.

Segundo a técnica de referência Gislaine Cardoso, a palestra serviu para que os usuários fossem alertados e compreendessem que a violência possui múltiplas formas de manifestação, e que eles próprios poderiam ser vítimas, mesmo não se dando conta disso. “Muitas vezes, as pessoas idosas podem achar que não sofrem nenhum tipo de violência. Mas elas não entendem que da mesma forma que a violência sexual, aquele indivíduo que mora com eles e se apropria do dinheiro do benefício também pratica violência doméstica”, explicou Gislaine.

Cirlene: “Quando a gente ouve informações valiosas como essas, a gente se torna multiplicadora”

A aposentada Cirlene Vilas Boas, de 79 anos, garante que jamais vivenciou nenhum desses tipos de violência, mas admitiu conhecer várias histórias de pessoas conhecidas que já passaram por isso. “Principalmente histórias de violência moral”, explicou Cirlene, que participa do CCI há cinco anos. “É constrangedor saber que a pessoa contribuiu tanto com aquelas outras pessoas e, no momento em que ela poderia ser acolhida, é tratada com desprezo e com desrespeito. E a pessoa vai aceitando aquilo e se acomodando. Mas, no momento em que é alertada, ela busca mecanismos de ajuda”, lamentou, acrescentando a importância da palestra para ela e para os demais usuários do serviço. “São informações que nos conscientizam. No momento em que a gente ouve uma informação valiosa como essa, a gente se torna multiplicadora”, disse a aposentada.

Serviço

O CCI possui atualmente 143 pessoas cadastradas, mas à medida em que as atividades vão sendo retomadas, após terem sido suspensas por conta da pandemia da Covid-19, a expectativa é que esse número aumente. Todos os usuários possuem mais de 60 anos, são aposentados e a maioria é do sexo feminino. No serviço, eles participam de atividades em grupo, como palestras sobre temas variados e oficinas de artesanato, canto coral e teatro. “Muitas vezes, os idosos se sentem isolados. Então, o CCI traz momentos em que eles podem se socializar com outras pessoas”, informa Gislaine.