Um padre e uma mulher casada. Um amor proibido nasce entre os dois. Sentindo-se culpado por esse desejo, o religioso decide ir embora. A moça desesperada larga tudo para ir atrás dele, mas acaba sendo rejeitada. O marido – um coronel – a abandona por traição. Ela enlouquece. Os filhos convencem o pai a aceitá-la de volta. Ele a recebe de novo e doa algumas cabeças de gado para a esposa, que juntos, vão até a Câmara Municipal, registrar a documentação. Parece história de novela, mas aconteceu e está registrada em um dos arquivos mais antigos de Vitória da Conquista: trata-se de atas da Câmara Municipal do ano de 1850, em que relatos de traições, doações, empréstimos, eram fartamente documentados.

Andar pelo Arquivo Municipal de Vitória da Conquista é viajar pela história da cidade, conhecendo fatos políticos e culturais que marcaram e contribuíram para o desenvolvimento da região Sudoeste. O acervo conta com cinco milhões de documentos, o equivalente a quinze quilômetros lineares. Caso fosse possível posicionar todos os documentos em linha reta, uma pessoa teria que caminhar de 50 a 90 minutos para vistoriar as peças do início ao fim .

O historiador e auxiliar de arquivos, Jailson Ribeiro, explica o que pode ser encontrado no Arquivo Municipal Público. “Tem a documentação do período Imperial até os dias atuais e várias tipologias documentais como plantas, mapas, livros de registros, fotografias. Basicamente, o arquivo público tem o acervo mais importante da região’’.

Livro mais antigo do Arquivo é um registro de marcas de fogo de 1893

O livro mais antigo é um registro de marcas de fogo, 1893, escrito pelo primeiro intendente da época, Coronel Joaquim Correia. O livro é uma espécie de identificação das cabeças de gado dos fazendeiros da época, em que os animais eram descritos de acordo com sua marcação a ferro, para que não houvesse roubos. Além disso, o acervo conta com mais de 20 mil fotografias relacionadas a obras ou eventos da prefeitura, inclusive a 1º Micareta de Vitória da Conquista. A foto mais antiga é a do prefeito José Pedral com a Guarda Municipal da época, em 07 de setembro de 1963.

A foto mais antiga do Arquivo é de 1963 e mostra o então prefeito José Pedral com a Guarda Municipal

O Arquivo Municipal conta também com doações de documentos. O teatrólogo e poeta Carlos Jehovah de Brito Leite fez uma importante doação: entregou vários jornais dos anos de 1920 a 2003. Com tantas preciosidades históricas, é possível satisfazer até mesmo o mais curioso. A funcionária mais antiga da Prefeitura de que se tem registro, por exemplo, é Silvia Alves Guimarães, auxiliar de Biblioteca, que entrou no ano de 1965 e saiu em 1997 quando se aposentou.

Para Jailson, esses arquivos são importantes para preservar e conhecer a história da cidade. ‘’O arquivo é local de memória e cabe a nós, pessoas que frequentam esses arquivos, transformar essa memória em história. A história deve ser mostrada e divulgada para que as pessoas conheçam essa identidade. O arquivo tem tentado divulgar esses materiais com exposições e palestras. Recebemos muitos alunos aqui. Mesmo assim, sentimos que ainda há um potencial pedagógico incrível que tem sido pouco utilizado”, lamentou.

O teatrólogo e poeta Carlos Jehovah de Brito Leite, por exemplo, entregou vários jornais dos anos de 1920 a 2003.Se você ficou interessado em visitar o Arquivo Municipal Público, ele se encontra na Avenida Juracy Magalhães, nº 3920, Bairro Felícia. O atendimento é de segunda a sexta, das 8h às 17h.