Finanças e Execução Orçamentária
Postado em 7 de maio de 2026 as 13:42:24
Crianças e adolescentes como parte do processo para definir as prioridades do orçamento público municipal pode parecer incomum, mas foi exatamente essa a proposta colocada em prática pela Prefeitura de Vitória da Conquista, ao promover uma atividade educativa com jovens em situação de vulnerabilidade. A iniciativa, conduzida pela Secretaria Municipal de Finanças (Sefin), integra o processo de elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que define as metas e prioridades da gestão para o próximo ano, e aposta na escuta ativa da juventude como ferramenta para aproximar o poder público da realidade da população.
Por meio de dinâmicas interativas, os participantes foram convidados a refletir sobre o funcionamento da cidade e o papel de cada cidadão nesse processo. Em um dos momentos, os adolescentes compartilharam seus sonhos profissionais enquanto construíam uma “teia”, feita com um novelo de lã, simbolizando a conexão entre as pessoas e suas funções na sociedade.
Na sequência, receberam valores simbólicos representando salários e puderam compreender, na prática, como funciona a arrecadação de impostos. Parte do valor foi recolhida, simulando a contribuição da população para os cofres públicos. Em seguida, eles discutiram e definiram onde os recursos deveriam ser investidos, registrando suas prioridades em cartolinas.
De acordo com o secretário municipal de Finanças, Rodrigo Bulhões, a proposta deste ano é justamente inovar no processo de construção do orçamento. “Estamos na fase de elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias, onde serão eleitas as metas e prioridades do governo para o ano que vem. Este ano, vamos fazer algo diferente: ouvir crianças e adolescentes para saber o que eles imaginam para a nossa cidade”, destacou.
Ainda segundo o secretário, a iniciativa busca aproximar a gestão pública da realidade vivida pela população mais jovem.
“A gente entra no imaginário deles, entende o que têm a agregar ao orçamento público e quais são as necessidades reais deles e de suas famílias. O que eles levantarem aqui terá relevância na construção da lei. Eles têm a oportunidade de eleger prioridades e entender que o dinheiro é limitado, o que exige escolhas”, explicou.
A experiência também despertou reflexões importantes entre os participantes. Para a estudante Eloá Lima, de 12 anos, o aprendizado contribui para o futuro. “A gente precisa aprender desde cedo a lidar com dinheiro, porque depois vamos trabalhar e cuidar das nossas coisas. Na educação, por exemplo, acho que precisamos de mais segurança nas escolas, para evitar brigas, e mais estrutura para as crianças”, avaliou.
- Eloá Lima
- Tiago Neres
- Mariana Prado
Já o adolescente Thiago Vitório Neres, de 14 anos, destacou a importância de investimentos em atividades para o público jovem. “Muitas crianças e adolescentes saem da escola e ficam no celular. Se tiver mais esportes, eles podem ocupar o tempo com coisas mais importantes”, afirmou.
Para Mariana Prado, de 13 anos, ouvir crianças e adolescentes é fundamental para compreender as necessidades da cidade.
“Muitas pessoas acham que criança não sabe, mas a gente sabe sim. A gente vê o que está acontecendo e o que precisa melhorar. É importante que escutem a gente”, pontuou.
A atividade reforça a importância da participação social desde a juventude, estimulando a formação cidadã e promovendo o entendimento de que as decisões sobre a cidade passam pelo diálogo, pela escuta e por escolhas coletivas.


















