Caps i

Com o tema “Páscoa Azul e Colorida”, o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Caps i) e a Unex realizaram ação pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo, que é celebrado no dia 2 de abril. A programação especial contou com atividades lúdicas organizadas pelos estudantes da disciplina de Fisioterapia Neonatal e Pediátrica.

As atividades no Caps i se estendem por todo o mês de abril. No dia 9, acontecerá outra atividade específica para o público autista, envolvendo crianças, adolescentes e seus pais, além de parcerias com outras universidades e palestras em escolas sobre o tema.

Atualmente, a unidade conta com 1.577 crianças e adolescentes com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) que são atendidas por uma equipe multiprofissional que oferta de atividades de estimulação sensorial, habilidades sociais, Atividades de Vida Diária (AVD) e Musicoterapia. Já para a família, são oferecidos o treinamento de pais e AVD. O Plano Terapêutico Singular (PTS) define quais serão os atendimentos, a partir da demanda de cada um, e é construído entre a família e a equipe multidisciplinar do Centro.

Para a psicóloga do Centro, Isabel Viana, os desafios são muitos, mas a partir do diagnóstico e com o acompanhamento adequado as crianças e adolescentes com TEA se desenvolvem e podem ter uma vida normal. “Nossa mensagem para as famílias é de acolhimento. O autismo não é uma doença, é um jeito de ser, um perfil cognitivo atípico, mas capaz de alcançar potências. Nosso papel é potencializar essas crianças para que vivam da melhor forma possível”.

Segundo a fisioterapeuta pediátrica e professora adjunta da Unex, Luara Facundes, as atividades promovidas buscam a estimulação e o desenvolvimento motor. “Como somos da Fisioterapia, trouxemos brincadeiras para estimular o desenvolvimento motor, a coordenação óculo-manual e o equilíbrio, tanto estático quanto dinâmico. Além disso, trabalhamos a interação social e a comunicação, que são fundamentais para quem tem esse diagnóstico. Na fisioterapia pediátrica, a gente estimula brincando, o desenvolvimento vem através da diversão”, explicou Luara.

Alisson Alves e sua esposa Naiane levaram seu filho Ângelo, de três anos, que há um ano foi diagnosticado com TEA e é atendido pela equipe do Caps i. Ele disse que tudo mudou após o diagnóstico, e que o apoio da equipe da unidade tem sido fundamental para o desenvolvimento de seu filho. “O atendimento aqui é ótimo. Vimos com constância, a criança se diverte e nós recebemos orientações sobre como agir ao longo da semana, inclusive sobre alimentação. Isso ajuda muito”, comentou Alisson, que está celebrando o dia de forma consciente, certo de sua responsabilidade como pai. 

“O pessoal fala que é uma criança especial. Para mim, é uma criança normal. Especial ela é para os pais e para a família. Temos apenas que saber a forma correta de lidar, entendendo que as coisas acontecem no tempo da criança e do jeito dela, não do nosso. Nós é que temos que nos adaptar à criança”, ressaltou Alisson.

Alisson, Naiane e Ângelo

Avanços no atendimento

A Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Diretoria de Atenção Programática e Especializada (Dape), tem realizado investimentos na estruturação e no fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para atender o crescimento significativo da demanda, especialmente por casos graves, o que exigiu um reordenamento dos serviços, qualificação dos profissionais e construção de novas estruturas para descentralização e aumento na oferta de vagas de atendimento. Entre as principais entregas e ações realizadas entre 2025 e 2026, destacam-se:

  • Novas sedes próprias e descentralização: Visando ampliar o acesso e organizar o cuidado por território, a Prefeitura está avançando na construção de duas sedes próprias para funcionamento de 2 equipamentos CAPS i. As novas unidades, localizadas nos bairros Patagônia e Cruzeiro, irão dividir a demanda do TEA, garantindo um atendimento mais próximo da residência dos usuários.
  • Ampliação do quadro médico: A gestão municipal manteve aberto um processo de credenciamento para a contratação de médicos especialistas, entre eles, psiquiatras e neuropediatras. A medida resultou, no ano passado, em aumento na oferta de atendimentos médicos especializados, reduzindo o tempo de espera e ampliando o acesso ao cuidado qualificado.
  • Fortalecimento do vínculo profissional: O município promoveu o fortalecimento da carreira de servidor público, substituindo profissionais contratados por servidores efetivos, aprovados em concurso público. Isso ampliou o número de técnicos no CAPS i e consolidou o vínculo da equipe com o serviço e com a população atendida.
  • Cadastramento para confecção de Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA): estratégia de garantia e promoção de direitos, visando facilitar a identificação das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e assegurar prioridade no acesso a serviços públicos e privados, conforme previsto na legislação vigente. A iniciativa busca ampliar a inclusão, fortalecer a proteção social e contribuir para a efetivação das políticas públicas voltadas a essa população e suas famílias.
  • Qualificação profissional e adesão às diretrizes nacionais: A qualificação técnica da equipe também foi priorizada. Em 2025, os profissionais do CAPS i participaram de uma parceria com o Mestrado Profissional em Psicologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com foco no aprimoramento dos diagnósticos e na qualificação das práticas assistenciais. Seguindo as diretrizes da Linha de Cuidado para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), lançada pelo Ministério da Saúde no ano passado, o município tem reorganizado os fluxos de atendimento na RAPS. A estratégia coloca as Unidades de Saúde da família como relevantes no cuidado, com o reforço em atendimentos já realizados como puericultura e a vigilância dos marcos do desenvolvimento, o que pode garantir diagnósticos e intervenções precoces. Para consolidar essa diretriz, a Secretaria Municipal de Saúde está implementando um cronograma de capacitação da Atenção Primária, com apoio dos técnicos do CAPS i. Como parte dessa articulação, serão realizados grupos de orientação parental e atendimentos com crianças e adolescentes TEA diretamente nos territórios das unidades de saúde, para que sigam promovendo a continuidade do cuidado pela própria equipe local da unidade.