Aos doze anos, Gabriel incorporou Charles Chaplin, ganhou a admiração dos jurados e foi premiado em duas categorias

A professora Vanusa Chiacchio entrega o prêmio de melhor ator a Gabriel

A cada edição, o Festival de Cinema de Bate-Pé costuma trazer inovações. A deste ano foi a inclusão de quatro filmes mudos e três animações simples em stop motion, entre as produções exibidas ao público. A novidade deve-se ao trabalho da professora Vanusa Chiacchio, que, por meio da disciplina de Artes, propôs aos alunos do 7º ano do Ensino Fundamental um trabalho pedagógico baseado nessa temática.

Vanusa é a mesma que, em 2012, ainda trabalhando na área de Língua Portuguesa, convidou todas as turmas dessa disciplina a reescreverem contos clássicos da literatura universal. Este ano, a professora reuniu os contos produzidos pelos estudantes no livro “Recontando Maravilhas”, lançado oficialmente na quarta-feira, 13, primeiro dia do Festival de Cinema de Bate-Pé. Os curtas em stop motion – entre eles “Barba Azul”, premiada como melhor inovação, e “A bela dorminhoca”, eleita a melhor produção nessa categoria – foram produzidos a partir de adaptações reunidas nessa coletânea.

“Foi maravilhoso”, sintetizou Vanusa, agraciada com a Menção Honrosa do evento. “Como professora de Língua Portuguesa, trabalhei com eles a produção do livro. Enquanto professora de Artes, trabalhamos a temática do cinema, que já fazia parte do projeto da escola. Eles me deram o retorno de que eu precisava. Quando chegaram das gravações, disseram: ‘nossa, foi massa, foi legal!’”.

O jovem ator descobriu Chaplin: “Foi uma nova experiência”

Ator versátil – Ao mencionar a presença de curtas inspirados na estética do cinema mudo, é preciso registrar o estudante Gabriel Silva, premiado este ano em duas categorias: melhor ator, por unanimidade, e melhor caracterização de personagem. Ambas se devem a suas participações nos curtas mudos “O pão”, “Quebrando a vidraça” e “A criança”, nas quais o garoto incorporou – no gestual e no figurino – a figura terna do “vagabundo” Carlitos, criado por Charles Chaplin.

Apesar da pouca idade – doze anos –, Gabriel pode ser considerado um ator experiente em Bete-Pé. Em 2012, ele também levou para casa dois troféus, um deles de melhor ator. Chaplin, para ele, foi uma descoberta. E, ao explicar por quê, falou como um legítimo ator versátil: “Foi uma nova experiência. Eu estava acostumado a fazer filmes com falas. Foi a primeira vez que fiz filmes mudos. Tínhamos que interagir para as pessoas entenderem. Foi muito legal”.

Teria sido, então, a descoberta de uma nova linguagem para o jovem ator? “Sim, uma nova linguagem. A linguagem muda”, respondeu Gabriel.

Coragem – Segundo um dos jurados, o estudante de cinema Cosmelúcio Costa, Gabriel conquistou a admiração do júri tanto por sua atuação quanto pela coragem com que se lançou aos papéis que interpretou nos curtas chaplinianos. “Ele atua bem. Por isso é que chamou muita atenção”, explicou Cosmelúcio.