Os mapas serão utilizados na construção do Diagnóstico Socioterritorial e, posteriormente, no Plano Municipal de Comunicação

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes) iniciou, na última semana, uma série de oficinas para a construção de mapas falados nos territórios de Vitória da Conquista. A iniciativa envolve usuários dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e das unidades da Proteção Social Especial, como os Creas e o Centro Pop, e integra o processo de elaboração do Diagnóstico Socioterritorial do Município.

Os mapas falados são construídos de forma coletiva, a partir da escuta dos usuários que vivem e utilizam os serviços em cada território. Durante as oficinas, eles identificam fragilidades, potencialidades, fluxos de acesso aos serviços e demandas específicas de suas comunidades. As informações levantadas vão subsidiar a Coordenação de Vigilância Socioassistencial da Semdes na construção do diagnóstico, que analisa as condições sociais, econômicas, culturais e de vulnerabilidade da população, orientando o planejamento de políticas públicas mais eficazes e direcionadas.

Para o gerente de Avaliação e Monitoramento da Semdes, Lucas Caires, responsável pela aplicação de algumas das oficinas, a construção do diagnóstico por meio dos mapas falados se dá a partir de um processo de escuta qualificada e de aproximação com a realidade vivenciada nos territórios. “A partir da participação de trabalhadores, usuários e lideranças locais, os mapas falados permitem identificar vulnerabilidades, potencialidades e demandas que vão além dos dados quantitativos. Esse diagnóstico contribui diretamente para a elaboração do Plano Municipal de Assistência Social, fortalecendo o planejamento, a priorização de ações e a efetividade das políticas públicas no âmbito do Sistema Único de Assistência Social”, destacou.

Representando a Associação de Moradores do Conquista VI, Gilvan Fernandes participou da construção do mapa falado no território do Cras Vila América e ressaltou a importância da participação popular. “A participação da comunidade é fundamental, especialmente considerando as carências existentes e a dificuldade, por vezes, de acesso aos serviços. Estamos aqui para contribuir, e acredito que, ao ouvir os moradores, o trabalho será aprimorado, pois muitos desconhecem seus direitos. A ideia é ampliar o conhecimento sobre os diversos direitos existentes”, afirmou.

O presidente da Associação de Moradores do Miro Cairo, Raimundo Rocha, também destacou o papel da escuta nos territórios. “É muito bom a gente estar participando dessas reuniões com o Cras e o conselho local de saúde. Assim, conseguimos articular melhorias para o bairro. Nós temos posto de saúde ampliado, quadra poliesportiva, duas creches, entre outras conquistas que vieram desse diálogo. Cada avanço é motivo de orgulho, e vamos seguir trabalhando para melhorar ainda mais”, disse.

Plano Municipal de Assistência Social

A construção do Diagnóstico Socioterritorial é uma etapa fundamental para a elaboração do Plano Municipal de Assistência Social, documento que orienta a execução da política de assistência social no município pelos próximos anos. É por meio do plano que o poder público define metas e ações voltadas à garantia de direitos, ao enfrentamento das vulnerabilidades sociais e à promoção do bem-estar de famílias e indivíduos.

Após a conclusão do diagnóstico, a Coordenação de Vigilância Socioassistencial irá cruzar os dados obtidos nas oficinas com outras bases de informação, como o Cadastro Único e dados do IBGE. O material resultante será utilizado na elaboração do plano, garantindo a participação da população em todo o processo. Após finalizado, o documento será encaminhado para apreciação e deliberação do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS).

Morador do bairro Recreio, João Porto participou da construção do mapa falado no Cras Nova Cidade e avaliou positivamente a iniciativa. “Muitas vezes, as pessoas moram no bairro e não sabem o que tem e o que não tem. Essa reunião é para ouvir a experiência de cada morador sobre os pontos fortes e fracos do território. Por isso, eu acho muito importante. Assim, esperamos que o poder público possa ouvir esses depoimentos e trazer melhorias para o nosso bairro”, afirmou.