Assim como aconteceu em fevereiro, a cidade de Vitória da Conquista tem enfrentado um mês de março atípico no que diz respeito ao volume de chuvas. De acordo com dados da Coordenação de Proteção e Defesa Civil (Compdec), março já registrou uma média de 201,99 mm de chuvas, mais do que o dobro da série histórica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que é de 87,4 mm. Em relação ao mesmo período do ano passado, o aumento é ainda mais significativo. O volume de chuvas é mais de nove vezes maior do que a média registrada em março de 2025: 22,18 mm.

Ontem (24), o Inmet emitiu alerta amarelo para chuvas intensas, válido até as 9h desta quarta-feira (25). O engenheiro da Defesa Civil, Gabriel Queiroz, afirma que o volume de chuvas previsto para o começo da semana acabou chegando no domingo (22), antes do esperado, e que esses próximos dias devem ser de mais estabilidade. “A previsão maior é que as chuvas ocorressem no início da madrugada de segunda-feira. Entretanto, elas convergiram para um episódio de grande severidade no domingo à noite. As previsões desta semana apontam para uma maior estabilidade a partir desta quarta-feira, com pouca intensidade”, afirmou.

Ainda segundo o engenheiro, o Governo Municipal, por meio do Comitê de Gerenciamento de Crise, segue mobilizado para atender as demandas decorrentes do grande volume de chuvas que têm atingido a cidade desde o mês de fevereiro. “Com a prorrogação do alerta do Inmet, reforçamos o diálogo com o Comitê de Crise, na execução das ações de resposta, e no monitoramento dos pontos sensíveis e mais afetados no município decorrentes das chuvas”, completou Gabriel.

O climatologista e professor do curso de Geografia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Rosalve Lucas Marcelino, explica que as chuvas do último domingo (22) representaram quase 90% da média esperada para todo mês. “Essa chuva é derivada da forte massa de ar úmida que está estacionada na nossa região, e também de um corredor de umidade que está ligando as regiões Norte e Centro-Oeste do país, junto também com a zona de convergência intertropical. São um resíduo das chuvas que eram para ter caído na nossa região de novembro a janeiro, e diminuindo em fevereiro. Só que a gente está sob o efeito La Niña, que provocou um deslocamento dessa quantidade de chuva e acabou, nesse deslocamento, atrasando as águas”, afirma o professor, destacando que nas próximas semanas a cidade deve entrar num período de estabilidade climática, com redução drástica das chuvas e queda gradual da temperatura.

O grande volume de chuvas intensifica os danos nas vias, casas e outras áreas do território do município, o que exige uma atenção redobrada para evitar riscos. A Prefeitura Municipal, por meio do Comitê de Gerenciamento de Crise, mantém as equipes mobilizadas para o monitoramento das situações de maior risco e tem agido de forma rápida para garantir a segurança da população e restabelecer a normalidade das áreas afetadas.

Em caso de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo número (77) 3229-3456, ou através do WhatsApp (77) 98856-5070.