A presença feminina na segurança pública tem avançado na Bahia, provando, de fato, que lugar de mulher é onde ela quiser estar. Em Vitória da Conquista, terceira maior cidade do estado, esse movimento já é realidade também dentro da Guarda Municipal, que possui sete mulheres. Esse foi um dos destaques do 8º Encontro de Guardas Municipais Femininas da Bahia, realizado em Ilhéus, que reuniu agentes de diferentes municípios para debater o tema “De dentro para fora: identidade, força e interseccionalidade da mulher na Segurança Pública”.

Representando o município, participaram a subcomandante Wanária Oliveira, a guarda municipal Adriana Alves e a subinspetora Analice Teles. A abertura também contou com a presença do secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Social, Cristóvão Lemos, e do guarda municipal Wilton dos Santos Oliveira.

Mais do que a participação no evento, a pauta evidencia a atuação das mulheres dentro da corporação conquistense, que ainda é majoritariamente masculina. Segundo a subcomandante Wanária Oliveira, essa presença, embora pequena em número, tem impacto significativo. “A Guarda Municipal representa uma força de segurança aqui no nosso município de Vitória da Conquista. Há quatro anos vem crescendo muito e, com isso, diminuindo o índice de violência. E as mulheres na Guarda fazem muita diferença. Eu costumo dizer que lugar de mulher é onde ela quiser estar”, afirmou.

Ela destaca ainda que as agentes já ocupam diferentes funções dentro da instituição. “Nós somos sete mulheres dentro de uma corporação majoritariamente masculina, com 181 homens, e estamos ocupando os nossos espaços. Temos mulheres na corregedoria, no comando, condutoras de viatura, comandando viatura e também na central de atendimento e despacho”, completou.

A subinspetora e comandante de Guarnição, Analice Teles, reforça que essa conquista de espaço é resultado de uma mudança gradual na sociedade e dentro das instituições. “Hoje a gente tem o mesmo espaço que os homens. As mulheres estão divididas em várias áreas, vários setores. É uma experiência muito boa, a gente se sente empoderada”, destacou.

Para ela, o encontro em Ilhéus também trouxe reflexões importantes, especialmente sobre o enfrentamento à violência contra a mulher. “Foi muito falado sobre feminicídio, sobre a necessidade de levantar essa bandeira. Muitas mulheres estão morrendo e a gente não pode aceitar isso. Precisamos nos unir para vencer qualquer tipo de preconceito e violência”, afirmou.

Já a condutora Adriana Alves ressaltou a identificação com relatos de outras profissionais, mostrando que os desafios são comuns em diferentes regiões. “Mulheres de outros lugares relataram situações que são as mesmas que vivenciamos aqui. Eu já passei por situações em que fui questionada, como se não fosse capaz. Isso nos diminui, mas também mostra o quanto precisamos continuar lutando”, disse.

Ela também destacou a força coletiva construída entre as agentes. “A gente é muito capaz, somos mulheres guerreiras. Muitas transformaram a dor em vitória. E isso mostra que vale a pena lutar pelo espaço que queremos ocupar”, completou.

Membro da comissão da Corregedoria da GM, a Guarda Municipal Suzana Paula também destacou os desafios e a responsabilidade de atuar em um ambiente ainda predominantemente masculino. “Ser guarda municipal é gratificante, mas ao mesmo tempo é um desafio, porque estamos em uma corporação majoritariamente masculina. Somos apenas sete mulheres e realizamos um trabalho desafiador. A mulher é mais cobrada, mas também somos mais acolhedoras e agimos com ética”, afirmou.

Apesar dos avanços, os desafios ainda existem. Wanária Oliveira aponta que o preconceito muitas vezes aparece de forma velada. “Existe aquele olhar desconfiado, como se a mulher não pudesse estar naquele lugar. São brincadeiras disfarçadas de violência, elogios disfarçados. E isso a gente não deve aceitar. Precisamos lutar e garantir nossos direitos”, afirmou.

A participação no encontro reforçou a importância da troca de experiências entre mulheres da segurança pública. “Foi um momento libertador, de compartilhar anseios, alegrias e dificuldades. Isso fortalece e nos faz crescer cada vez mais”, concluiu a subcomandante.

Em Vitória da Conquista, as mulheres da Guarda Municipal seguem ampliando sua atuação e mostrando, na prática, que competência e coragem não têm gênero.