USF Miro Cairo

A Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Centro Municipal de Pneumologia e Dermatologia Sanitária, está aproveitando o Janeiro Roxo, mês de conscientização contra hanseníase, para levar informações sobre a prevenção e o tratamento da hanseníase diretamente às comunidades. A campanha visa romper os muros da unidade de referência e dialogar com os usuários onde eles mais frequentam: as Unidades de Saúde da Família (USF).

Para a enfermeira da equipe técnica de hanseníase, Stael Ariadne Alves, a educação em saúde é a principal estratégia para encontrar novos casos e combater o preconceito secular que ainda cerca a doença.

“A informação é nossa maior arma. Precisamos sair do centro de referência e buscar as pessoas onde elas estão reunidas para tirar dúvidas pessoalmente, com uma linguagem clara e sem termos técnicos”, explica a enfermeira. Segundo ela, o medo da doença é um reflexo de uma época em que não havia cura, realidade que mudou drasticamente. “Hoje, o tratamento não apenas cura, como também interrompe a transmissão logo após o início. Quando as pessoas entendem isso, o preconceito diminui”.

Stael reforça ainda a importância do autoexame: “É preciso ter intimidade com o próprio corpo. Ao notar qualquer mancha ou alteração, a pessoa deve buscar imediatamente a unidade de saúde”.

Nas salas de espera da USF Miro Cairo, a dona de casa Vilma Aparecida Souza de Oliveira, de 53 anos, moradora do bairro Miro Cairo e usuária da unidade local há 15 anos, acompanhou atentamente as orientações.

Vilma Aparecida

Para ela, a iniciativa traz segurança para quem nota sinais suspeitos. “É muito bom pra gente saber. Se aparecer qualquer manchinha agora, eu já sei que pode ser alguma coisa e já vou procurar o médico”, relatou a moradora, natural de Encruzilhada, mas que adotou Vitória da Conquista como lar há mais de uma década.

Sinais e sintomas

A Secretaria Municipal de Saúde orienta a população a ficar atenta aos seguintes sinais:

  • Manchas brancas, avermelhadas ou amarronzadas com alteração de sensibilidade (calor, frio, dor ou toque).
  • Espessamento de nervos periféricos, resultando em alterações motoras ou autonômicas.
  • Áreas com redução de pelos e suor.
  • Formigamentos, fisgadas e diminuição da força muscular, sobretudo nas extremidades.
  • Nódulos dolorosos em casos mais avançados.

Transmissão, diagnóstico e tratamento

  • A transmissão ocorre pelas vias aéreas superiores (espirro, tosse ou fala), principalmente após contato prolongado com pessoas não tratadas na forma contagiosa (multibacilar).
  • É importante destacar que durante o tratamento, a pessoa com hanseníase não transmite mais a doença. A pessoa deve se manter em seu convívio familiar e social.
  • O diagnóstico é clínico, realizado por meio de avaliação dermatológica e neurológica. O SUS disponibiliza tratamento gratuito com poliquimioterapia (rifampicina, dapsona e clofazimina), com duração de seis a 12 meses, de acordo com a forma clínica. A transmissão é interrompida nos primeiros dias de tratamento.