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Postado em 1 de abril de 2026 as 07:10:32
Um dos desafios do crescimento urbano diz respeito à convivência entre diferentes espécies, já que o desenvolvimento das cidades altera os ecossistemas e exige novas adaptações e cuidados. No que diz respeito a animais peçonhentos, o ataque de abelhas é um dos mais comuns em todo o Brasil, o que torna necessário que as pessoas saibam como se portar nessas situações.
A preocupação com enxames ou colmeias de abelhas deve ser levada a sério, pois o ataque desses insetos, dependendo da quantidade de picadas, pode trazer consequências sérias, inclusive o óbito, em especial para os alérgicos.
Enfermeira e coordenadora do Samu 192, Graciele Tavares orienta sobre os procedimentos que devem ser adotados quando há um caso de ataque de abelhas. “A pessoa deve se afastar do local onde houve o ataque. Geralmente as pessoas correm por extinto, algumas pulam em rio ou piscina, mas isso deve ser evitado por conta do risco de afogamento. A orientação é se afastar do local, porque as abelhas não se separam. Então, vai chegar a uma distância que elas retornam para próximo da colmeia”, orienta.
Graciele explica que picadas simples de abelha não são caso para o Samu 192, e que apenas casos graves, em que o paciente apresente dificuldade para respirar ou desmaio, devem acionar o serviço. “A pessoa não deve retirar o ferrão puxando e sim raspando, de preferência com um cartão. Caso tenha várias picadas, a vítima deve se deslocar para a unidade de saúde mais próxima, atentando-se para sinais de alarme em caso de pessoas alérgicas, que podem apresentar edema de face, chiado no peito, falta de ar ou até desmaio. Nesse caso, a vítima deve ser conduzida o mais rápido possível para uma unidade hospitalar, não necessariamente precisa aguardar o serviço de urgência Samu 192, pois o tempo de deslocamento pode agravar o quadro da vítima”, afirma.
A coordenadora instrui que durante o deslocamento, o solicitante deve estar em contato com a central do Samu 192 para receber as orientações do médico regulador sobre para onde conduzir a vítima, e reforça que o corpo de Bombeiros e autoridades competentes devem ser acionados para o local do ataque, a fim de verificar a situação do local e retirada do enxame, evitando novas ocorrências.
Segundo a coordenadora, a orientação para o deslocamento mais rápido possível deve ser seguido não apenas para picada de abelhas, mas também em outras situações com animais peçonhentos, como escorpiões e cobras. “Quando se espera a ambulância, a pessoa perde tempo, então todo caso de picada de animal peçonhento, a pessoa pode procurar direto a unidade hospitalar, não precisa aguardar o Samu 192, que só deve ser chamado em casos extremos, quando houver desconforto respiratório, apresentar edema de glote, e também se houver desmaio, parada respiratória ou cardíaca”, completou.
As ambulâncias do Samu 192 são equipadas com as medicações necessárias para o atendimento, entre elas a adrenalina, para os casos mais graves. Em Vitória da Conquista, as referências de atendimento são a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC). Moradores da Zona Rural podem procurar a atenção básica em casos mais simples, se for horário de funcionamento. Em outros casos, devem seguir direto para um hospital.
Procedimentos para a remoção de colmeias e enxames
Por serem consideradas animais silvestres, as abelhas necessitam de procedimentos especiais e adequados para a sua retirada. Em Vitória da Conquista, o Grupo de Apoio ao Meio Ambiente (Gama) da Guarda Municipal conta com agentes capacitadas para realizar o manejo e a retirada dos insetos de forma segura, evitando riscos à população.
De janeiro de 2025 a março de 2026, o Gama registrou 174 ocorrências de resgate e manejo seguro de abelhas, com o maior número de atendimentos acontecendo no bairro Boa Vista. No último sábado (28), equipes da Prefeitura realizaram uma operação de resgate de colônia de abelhas com ferrão no Bem Querer.
Caso as pessoas localizem uma colmeia que necessite de resgate, devem acionar o Gama por meio do telefone (77) 8825-5796.
Secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Cristóvão Lemos explica a importância do Gama e o trabalho realizado no resgate das abelhas. “O Gama foi criado para proteger o patrimônio ecológico, arquitetônico e cultural da cidade, tanto de forma preventiva quanto educativa. Nossos agentes realizaram diversos cursos, e um deles é o serviço de manejo e resgate de abelhas. Nós providenciamos equipamentos para eles, as roupas, o fumegador e outros equipamentos para fazer o resgate desses animais de forma mais segura”, disse.
O secretário destaca que o Gama realiza o resgate em prédios e logradouros públicos. Em locais de difícil acesso, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado por meio do telefone 193. “O Gama vai até aquele local, vai analisar toda a situação, se tem as condições de fazer o resgate das abelhas. Se for o caso de um enxame maior, a operação será feita em um horário mais propício por conta da segurança. Geralmente a partir das 18h, quando as abelhas estão mais tranquilas. E a gente dá um exemplo da ação na praça do Bem Querer, que acompanhamos o trabalho da professora Generosa juntamente com as equipes da Prefeitura”, completou o secretário.
Papel das abelhas no meio ambiente
Apesar do risco que oferecem à saúde, as abelhas desempenham um papel fundamental para o equilíbrio ambiental e para a produção de alimentos. Elas são responsáveis pela polinização de diversas espécies de plantas cultivadas e nativas, contribuindo para a formação de frutos e sementes. Grande parte dos alimentos consumidos pela população depende, direta ou indiretamente, da ação dos polinizadores.
Bióloga, doutora em Ciências Agrárias e especialista em abelhas, Generosa Ribeiro afirma que os ataques de abelhas com ferrão geralmente acontecem quando a colônia se sente ameaçada ou quando há alguma perturbação próxima ao ninho. “As abelhas são insetos sociais que possuem mecanismos naturais de defesa para proteger a rainha, as crias e o estoque de alimento. Entre as principais causas que podem desencadear um comportamento defensivo estão a aproximação excessiva de pessoas ou animais, vibrações no local onde o ninho está instalado, ruídos intensos, tentativas de manipulação sem o uso de equipamentos adequados e o uso de perfumes ou cheiros fortes. A presença de máquinas agrícolas, roçadeiras e motosserras próximas às colônias também pode provocar irritação nas abelhas, pois o som e a vibração são interpretados como ameaça”, explica.
Segundo a pesquisadora, o comportamento das abelhas pode variar de acordo com a estação do ano e com as condições climáticas. Em períodos mais quentes e secos, quando há maior atividade de voo e coleta de alimento, as abelhas tendem a ficar mais ativas e, em alguns casos, mais defensivas. Situações de escassez de flores ou falta de alimento também podem deixar as colônias mais sensíveis a qualquer tipo de perturbação. Durante mudanças bruscas de clima, como antes de chuvas, após chuvas intensas ou durante períodos de ventos fortes, as abelhas podem apresentar comportamento mais agitado.
“A principal causa da instalação das abelhas em áreas urbanas é a falta de corredores ecológicos que servem de uma via de passagem para as abelhas que costumam realizar enxameacões e migrações constantes. Muitas vezes as abelhas acabam se instalando no meio urbano por falta de local adequado que seriam as bordas das matas”, afirma.
Ao identificar uma colônia, é importante evitar se aproximar, tentar tocar ou remover o ninho por conta própria. Também não se deve jogar água, atear fogo, fumaça ou objetos no local. “Em áreas urbanas ou rurais onde exista risco para pessoas ou animais, o mais indicado é procurar um apicultor experiente, ou ainda órgãos ambientais ou instituições que trabalhem com resgate e manejo de abelhas. Em Vitória da Conquista, o Gama tem feito diversos atendimentos nos últimos meses”, esclarece Generosa.
Além de sua importância ecológica, as abelhas também contribuem para a geração de renda de muitas famílias por meio da produção de mel, pólen, própolis e outros produtos apícolas. Por isso, a convivência harmoniosa com esses insetos é essencial. O respeito aos seus habitats, a preservação da vegetação nativa e o manejo adequado das colônias ajudam a garantir tanto a segurança das pessoas quanto a manutenção das populações de abelhas, que são indispensáveis para a biodiversidade e para a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.












