Desenvolvimento Social
Postado em 21 de janeiro de 2026 as 15:00:46

O evento teve como objetivo incentivar o diálogo entre representantes de diferentes religiões
A Prefeitura de Vitória da Conquista promoveu, nesta quarta-feira (21), um encontro inter-religioso para celebrar o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A atividade aconteceu no Centro Integrado de Direitos Humanos (CIDH) e teve como objetivo incentivar o diálogo entre representantes de diferentes religiões, além de reafirmar valores constitucionais como a liberdade de culto, a dignidade da pessoa humana e o respeito à diversidade de crenças.
O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, foi instituído pela Lei Federal nº 11.635/2007 e simboliza a luta contra todas as formas de discriminação motivadas pela fé. A data faz referência à yalorixá Gildásia dos Santos, que faleceu em 2000 após sofrer ataques de intolerância religiosa, tornando-se um marco na defesa da liberdade de crença, do respeito às diferenças e da laicidade do Estado brasileiro.
- Ricardo Alves
- Ricardo Pereira
Para o coordenador de Promoção da Igualdade Racial, Ricardo Alves, a iniciativa integra uma política permanente de promoção dos direitos humanos em Vitória da Conquista. “O objetivo do nosso encontro aqui é a promoção de direitos humanos através da liberdade de crença e de culto, assegurados de um jeito coletivo e constitucional”, explicou Ricardo, ao enfatizar o papel estratégico da coordenação no fomento de ações de combate à intolerância religiosa, a exemplo do projeto municipal Ekodidé, que leva serviços de saúde e assistência social aos povos e comunidades tradicionais de matriz africana.
O evento contou com a participação de praticantes das religiões católica, espírita, evangélica, da umbanda e do candomblé, além de gestores municipais, integrantes do Conselho de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, membros da Associação de Pastores Evangélicos de Vitória da Conquista (Apevic) e da comunidade em geral.
- Ana Fernandes
- Pastor Edson da Apevic
- Pai Jorge
Representando a umbanda, a dirigente da Casa de Caridade Nhá Chica, Ana Maria Fernandes, destacou o encontro como um espaço de aprendizado e enfrentamento ao preconceito. “Eu acho que é um grande passo. A gente já anda caminhando com muita dificuldade, porque a discriminação é muito grande. E para combater essa discriminação somente na sua raiz. Com essas discussões, a gente ganha conhecimento e esclarecimento, que podem ser levados até os nossos”, avaliou mãe Ana.
Para o diretor de Qualificação Doutrinária da União Espírita de Vitória da Conquista, Carlos Henrique Britto, o diálogo fortalece a convivência democrática. “Esse espaço é fundamental para que nós tenhamos a oportunidade de dialogar e de conversar. Criar uma cultura de convivência pacífica, de fraternidade universal, que são valores defendidos pela doutrina espírita. Então um espaço como esse fortalece a tradição de fraternidade e abre espaço para algo muito raro hoje em dia na sociedade, que é justamente a convivência com o diverso”, afirmou o diretor.
- Carlos Henrique
- José Silva
Já o diretor-presidente da Cáritas Arquidiocesana, José Silva, ressaltou a importância do debate para além do campo religioso. “É um tema bastante atual essa discussão sobre o respeito que tem que haver entre as religiões. Então, um espaço como esse, onde a gente tem a oportunidade de conversar sobre esses assuntos, com representantes dessas diversas religiões, ajuda na construção de uma sociedade mais inclusiva, onde possamos construir a paz, resolver os conflitos, as divergências, respeitando a pluralidade, as diferenças. Isso é fundamental na sociedade, eu digo não só como religiosa, mas como cidadão”, pontuou o representante católico.
A programação do evento incluiu ainda a palestra “O que é o Estado Laico e o dever constitucional de proteção à liberdade de culto e crença”, ministrada pelo advogado e professor Ricardo Pereira. Durante a exposição, o palestrante abordou o conceito de Estado laico, a leitura de dispositivos constitucionais e decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. “O conhecimento jurídico, dos direitos, é fundamental para que a pessoa consiga viver a sua vida e reivindicar os seus direitos. Ao aprender a interpretar a Constituição e as decisões do STF, a gente aprende também a transitar melhor os espaços públicos. É uma forma de facilitar a compreensão dos nossos limites, das nossas obrigações e dos nossos direitos em relação ao nosso diferente”, concluiu o professor.
As celebrações municipais tiveram início na terça-feira (20), com a realização da Alvorada dos Ojás, na Praça Tancredo Neves, ação simbólica de enfrentamento à intolerância religiosa e ao racismo religioso. Promovida pela Rede Caminho dos Búzios, com apoio do Governo Municipal, a atividade reuniu lideranças religiosas, sociedade civil e autoridades em um momento de reverência, reflexão e conscientização. A cerimônia contou com rituais das religiões afro-brasileiras, como a umbanda e o candomblé, além da distribuição de ojás como símbolo de paz, respeito e defesa da liberdade de crença, reforçando a importância da convivência plural e do combate às violações de direitos motivadas pela fé.
























