Val Santos, uma conquistense por adoção

Nascida em Santos, ela mora em Vitória da Conquista desde os 15 anos – e viu de perto importantes mudanças na cidade

Em 1982, quando tinha 15 anos de idade, a adolescente Valdeci Ferreira dos Santos tomou uma decisão que modificaria radicalmente os rumos de sua vida. Acompanhada pela irmã mais velha, ela resolveu deixar a cidade de Guarulhos-SP, onde morava com a mãe, o padrasto e as quatro irmãs por parte materna, e viajar quase 1.500 quilômetros até Vitória da Conquista-BA, a fim de conhecer seu pai biológico e outros familiares baianos.

Natural de Santos-SP, cidade na qual passara apenas o primeiro ano de vida, ela se adaptou ao Sudoeste da Bahia. E, em Vitória da Conquista, estabeleceu-se com a nova família – além do pai, havia a madrasta e mais cinco irmãs, do lado paterno. Nesse novo ambiente, a jovem concluiu o antigo ginásio, formou-se em Magistério e, em 1986, conseguiu aprovação num processo seletivo aberto pela Prefeitura da cidade que adotou. Hoje, aos 48 anos, com 29 de experiência, “Val” é uma das servidoras mais conhecidas na Administração Municipal.

Desde 2009, ela trabalha na parte administrativa do Gabinete Civil. É sua segunda passagem pelo setor. “Todos os dias, eu saio de casa e venho trabalhar com ânimo”, garante a servidora, que também já passou pelas secretarias municipais de Serviços Públicos e de Saúde.

Esse ânimo, Val o atribui a uma sensação que define como “uma coisa que faz você se sentir valorizada”. Segundo ela, a principal razão disso é o fato de que, há 18 anos, os servidores da Prefeitura podem contar com uma estabilidade que lhes permite tocar as despesas financeiras sem surpresas desagradáveis no final do mês.

Credibilidade – O pagamento dos salários em dia, um direito básico, imprescindível a qualquer trabalhador, não era algo com que se pudesse contar no serviço público municipal de Vitória da Conquista, até meados da década de 90. Val recorda que, no ano de 1996, ela e os colegas chegaram a ficar seis meses sem receber um só centavo.

Como não se recebia salário, tornava-se difícil comprar no comércio local. Os comerciantes, receosos e pragmáticos, recusavam-se a vender fiado para quem trabalhasse na Prefeitura. Ela própria passou por isso numa loja. Quis fazer uma compra, mas o crédito lhe foi negado pelo vendedor. “Era horrível. Você se sentia o pior dos seres humanos”, recorda.

A situação só se regularizou a partir do ano seguinte, 1997, e assim permanece até os dias atuais. Com o tempo, essa nova lógica levou a que a imagem do servidor municipal se desprendesse daquela antiga. “Hoje você tem credibilidade. Chega em qualquer loja ou mercado e as pessoas te atendem bem”, aponta Val.

Lição – Com essa preocupação a menos, Val pôde organizar seus planejamentos e se dedicar a projetos pessoais, como o ensino superior. Em 1999, ela foi aprovada no vestibular para Geografia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), conseguindo se formar em 2004. Hoje, já pensa numa pós-graduação. Mas, antes, dá prioridade aos estudos de seus dois filhos. O mais velho, de 21 anos, cursa Direito em Salvador. A caçula, de 13, está no ensino fundamental e ainda mora com ela, na Urbis V. “Meu sonho é ver meus filhos formados”, conta ela, que foi casada por sete anos e hoje é divorciada.

Com quase três décadas de casa, Val já poderia se aposentar no próximo ano. Mas parece não priorizar essa possibilidade, pelo menos por enquanto. Pretende se dedicar especialmente aos filhos e ao trabalho – no qual ela diz pôr em prática, diariamente, uma lição que aprendeu a partir do convívio com outros colegas: “Basta você tratar a pessoa que te procura da mesma forma como você gostaria de ser tratado”.

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