Tímida, de poucas palavras, mas com uma determinação e um desejo de acertar invejáveis. Assim é Sthefane Vieira Santos, aluna do 3º ano da Escola Municipal Iza Medeiros.

Adolescente de 14 anos, Sthefane voltou a estudar no início de 2018, depois de quase cinco anos fora da sala de aula. Sobre o motivo que a manteve distante dos livros, explica: “Precisei sair da escola para cuidar dos meus irmãos menores, pois minha mãe arrumou um emprego e não tinha quem ficasse com eles.”

Para a estudante, a tarefa de cuidar dos irmãos era prazerosa, mas o desejo de voltar para a escola também era muito grande. “Gosto muito de crianças e me identifico com elas, principalmente com as menores, pois quando vão crescendo vão ficando desobedientes”, diz a menina, que dificilmente falta às aulas. “Sempre presto atenção na hora que a professora está explicando e não converso na sala de aula, pois estou aqui para aprender; se for pra conversar e não prestar atenção, não adianta vir né?”, indaga à prima e amiga, Rebeca Vieira, ex-aluna da Escola Iza Medeiros, e que sempre está presente na vida de Sthefane.

“Ela é uma boa amiga, a gente brinca com alguns jogos e aqui na pracinha perto da escola também”, conta. Nas horas vagas, a aluna, que sonha em viajar para São Paulo, sua terra natal, e visitar a mãe, gosta de assistir televisão e desenhar: “Eu e Rebeca somos muito boas no desenho, gostamos de desenhar tudo.”

Apesar da satisfação em cuidar dos irmãos, Sthefane entendeu que precisava estudar para chegar mais longe. “Quero ser professora ou repórter, acho bonito”, declara, com um sorriso e brilho nos olhos. Para isso, a estudante, que mora com a avó, tia, primos e irmão, sabe que os livros e cadernos devem ser suas companhias constantes. “Por isso quis voltar para a escola, pois sei que sem estudos fica difícil”, afirma.

Sobre estudar em uma turma com colegas menores, a menina pouco se incomoda, pois sabe que a sala de aula é um lugar para aprender e um lugar do qual ela não deveria ter saído. “Às vezes fico pensando em como seria se eu não tivesse parado de estudar, como seria minha sala, se estudaria nesta escola”, imagina. Mas segue firme em seu propósito: “O importante é que eu voltei. Minha avó me matriculou, e eu estou aqui e não vou parar mais, pois minha vontade é aprender cada vez mais”, conclui, confiante.