Servidor municipal efetivo desde 2008, Eber S. Chaves trabalhou por dois anos na Secretaria Municipal de Administração e, há oito anos, é lotado na Procuradoria Geral do Município. Mas sua experiência no setor público vem da época da faculdade, quando cursava Administração e, por meio de estágio, prestava serviço na Secretaria Municipal de Saúde.

O conhecimento adquirido na área de contratos administrativos já lhe rendeu publicações de artigos em revistas especializadas. Mas um assunto que Eber ainda busca a prática é a paternidade. Ele teve seu primeiro filho em março e curte os primeiros meses de Luca.

Experiência mágica – “A vida de pai é uma experiência mágica. E esses primeiros momentos parecem eternos: a primeira imagem dele, logo após o nascimento, onde ainda tentava reconhecer nele os meus traços; o primeiro colo; os primeiros sorrisos; os momentos em que me vejo olhando ele no berço, em seu sono à noite”, relata o pai de primeira viagem.

Quem conhece Eber sabe que ele é viciado em livros e já tem uma biblioteca em casa, que vai da ficção a psicanálise. Ao falar sobre o desafio de ser pai, Eber se remete a poesia de Khalil Gibran: “Para mim, o maior desafio para um pai é ter a consciência de que somos apenas um arco do qual nossos filhos, como flechas vivas, são disparados. O maior desafio de um pai seria esse: que a inclinação da nossa mão de arqueiro seja para a alegria.”

E a timidez dele é vencida pelo seu lado poeta, ao descrever o que é ser pai: “Ser pai é como se o coração batesse mais forte do que nunca, é como se a felicidade se tornasse mais viva e em festa no pensamento. Ser pai é descobrir uma chama que antes não existia no dia a dia. É encontrar no cotidiano algo de maravilhoso.”

Eber, com o pequeno Luca nos braços, e Edu

E o extraordinário aconteceu na família de Eber. Ele, sua esposa e seus pais esperavam já ansiosos pelo primeiro menino. A mãe de Eber não pode conhecer o netinho, pois ela faleceu em maio do ano passado. Um mês depois, outra vida foi gerada e o desejo deles se realizaram. Luca, assim como seu significado, trouxe luz e refrigério para sua família.

Seu avô, Edu Oliveira Chaves (71), é só festa com o “primeiro netinho homem”, como ele fala:”Todo pai tem que agradecer por esse feito em nossa vida, porque tudo vem d’Ele. Os filhos são bençãos do Senhor, e feliz é o homem que enche a sua casa de filhos.” E com cinco filhos e mais outras três netas, o idoso se mostra uma pessoa alegre por onde passa.

Apesar de não ser servidor municipal, seu Edu é uma figura conhecida na Prefeitura. É que além de Eber, duas filhas trabalham no Município: Queila Chaves, servidora há 19 anos, e Graciele Chaves, há seis anos no funcionalismo municipal.

O aposentado desejava que seus filhos retornassem para a sua cidade depois dos estudos, mas isso não aconteceu. “Eles gostam daqui, fizeram o concurso aqui e também ouço as pessoas que são atendidas por eles e os seus colegas falarem bem deles. Então eu me sinto bem, muito importante e grato ao nosso Deus”, declara o vovô.

Para Erisval, ser pai é uma emoção constante

Emoção constante – Com a mesma idade de Eber, 38, e o mesmo tempo no serviço municipal, o técnico em Enfermagem, Erisvaldo dos Anjos Silva, já tem mais experiência como pai. Parece que o cuidado com as crianças no Hospital Municipal Esaú Matos despertou o desejo em ser pai. Seu primeiro filho, Isaque, tem oito anos; e o caçula, Ian, tem seis.

Depois de passar dois anos no Hospital, Erisvaldo foi para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), onde exerce sua função até hoje. Lá, ele trabalha em regime de plantão, e por isso, em suas folgas, procurar ser um pai presente. “Tento aproveitar ao máximo a presença dos meus filhos, brincando com eles, tentando os educar da melhor maneira possível, dando carinho, me dedicando. Estar com minha família é um prazer imensurável. Eu sem minha família não sou nada”, garante.

E ele gosta de compartilhar todos os momentos possíveis. Na parada de Sete de Setembro, por exemplo, o servidor sempre leva os dois meninos, trajando o uniforme do Samu 192, para desfilar com ele na avenida. “Ser pai é uma coisa prazerosa, pois é um presente de Deus ter duas crianças maravilhosas, e é também uma responsabilidade muito grande que Ele nos dá de educar, de amar, de estar presente e de poder ser feliz. Amo muito ser pai”, diz Erisvaldo.

E sobre essa fama de profissional de Saúde ser pouco sensível, já deu para ver que não é reconhecida quando se trata da prole. “Todos os dias eu me emociono vendo coisas simples que eles fazem, mas que pra mim são grandiosas. Fico surpreso com a inteligência, com a educação e por eles serem crianças muito carinhosas, eu acabo me emocionando. É uma emoção constante”, fala o pai de Isaque e Ian.

Para esse paizão, o seu maior desafio é “ajudar Isaque e Ian a se tornarem seres humanos dignos e tementes a Deus, pois já são deles serem de coração bom”.