Rede socioassistencial de Vitória da Conquista reintegra três irmãos ao convívio familiar

Há oito anos, três irmãos viviam em um abrigo que cuidava de crianças e adolescentes em vulnerabilidade social em Vitória da Conquista. Por ordem judicial, esses meninos foram encaminhados em junho deste ano para o Programa Municipal Acolhendo e Cuidando e na noite da última quarta-feira, 23, partiram numa viagem de mais de 700 km para realizarem o sonho de rever sua mãe. Atualmente, ela mora com a avó deles em Itabaiana-SE, cidade de origem dela e dos filhos.

Segundo a conselheira tutelar Patrícia Galvão, que acompanha essa história desde o começo, o irmão mais novo, que hoje tem 12 anos, disse lembrar dos olhos e das mãos da genitora quando essa os visitava no abrigo quando Daniel* ainda tinha quatro anos de idade.

Já os irmãos mais velhos, com menos de um ano de diferença entre si, preferiram falar do que estar por vir: “Quero ir”, disse Carlos*, que completa 16 anos na próxima terça-feira, 29. “Estou ansioso para ver minha mãe”, emendou Cláudio* que em junho fez 15 anos.

Patrícia, que é coordenadora do Conselho Tutelar da Zona Rural, recorda de quando os meninos precisaram ficar sob guarda judicial. Ela, na época, era secretária do único conselho tutelar. “Essa noite eu só pensei nessa trajetória e de reintegrá-los depois à família. Isso pra mim é um dever cumprido. É uma sensação muito boa como pessoa e profissional. É gratificante”, comentou a conselheira horas antes da viagem que duraria cerca de 13 horas.

Já o gerente do programa Acolhendo e Cuidando, Aloísio José Batista, foi incumbido de cuidar do visual dos meninos para o encontro com a mãe. Antes de levá-los para cortar o cabelo, ele falou como os adolescentes foram recepcionados no programa e como a família foi encontrada. “A rede socioassistencial do município, através do Programa Municipal Família Acolhedora, fez a busca pelo histórico familiar e verificou que os pais estavam vivos e que a mãe residia no estado de Sergipe. O Cras e o Conselho Tutelar da cidade fez o contato com a família e verificou que ela estava apta para receber os adolescentes”, conta.

“Após analisar os relatórios dos serviços que aconselharam o encaminhamento, deferimos então essa providência, fazendo a inserção na família. A formalização da ordem foi transmitida para a cidade que vai receber esses adolescentes a fim de dar continuidade ao acompanhamento para ajuste desses adolescentes que há tempos estavam afastados dessa família”, informou o juiz da Vara da Infância e da Juventude, Juvino Henrique Brito.

A coordenadora de Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade, Cássia Eugênia explica como ocorre o processo de retirada e reintegração de filhos: “Se existe uma situação de conflito e desorganização familiar, que precise que as crianças saiam deste âmbito, a lógica é que elas passem um tempo fora até que essa estrutura se organize para que os filhos retornem a este espaço, que é o que agora estamos conseguindo com eles”.

A reintegração cumpre o que está disposto no 19º artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que assegura: “toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família”.

* Os nomes são fictícios para preservar a identidade dos adolescentes.
Na época em que as crianças foram encaminhados para o abrigo, a mãe delas residia em Vitória da Conquista. 

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