Quarta noite do Natal da Cidade atrai público de Vitória da Conquista e de outros municípios da região

Houve quem viajasse quase 500 quilômetros para ver o show de Milton Nascimento

Moradores de Montes Claros, norte de Minas Gerais, a bancária Rosana Nery e o policial militar Anderson Carvalho não perderam tempo. Assim que souberam, via Facebook, que o cantor e compositor Milton Nascimento faria um show na Praça Barão do Rio Branco, em Vitória da Conquista, na noite de sábado, 21, como parte da programação da 17ª edição do Natal da Cidade, eles resolveram que, de qualquer forma, teriam de ver isso de perto.

“Nós não temos muitas oportunidades de ver Milton no nosso próprio estado. Essa é uma oportunidade ímpar”, disse Anderson, ao justificar os motivos que levaram o casal a percorrer cerca de 470 quilômetros de automóvel pela BR-116, durante dez horas, enfrentando chuva constante e até o estouro de um pneu, ainda no trecho mineiro da rodovia. Foi a primeira vez que os dois foram a um show do artista – e de graça. “O que nos chamou a atenção foi a qualidade do evento, o cantor Milton Nascimento e os demais artistas. E também a cidade, que é muito acolhedora”, elogiou Anderson.

Rosana ressaltou o fato de um evento promovido desse porte ter sido promovido pela Prefeitura, o que possibilitou que a população tivesse acesso a espetáculos musicais de qualidade, de forma totalmente gratuita. “Comentamos sobre isso durante o dia inteiro. Damos os parabéns para a cidade, porque é uma iniciativa espetacular. Nós até lamentamos pelo fato de a nossa cidade não ter uma iniciativa dessas”, disse a bancária.

‘Política de cultura’ – A assistente social Lourdes Vilasboas e sua filha, Caroline, também enfrentaram a estrada com o mesmo objetivo de ver Milton Nascimento, de perto e de graça. As duas vieram de Itabuna, onde moram, a cerca de 140 quilômetros de Vitória da Conquista. Por conta da chuva e do trânsito na rodovia, a viagem durou uma hora a mais que o tempo normalmente gasto no trajeto. Mas Lourdes garantiu que o esforço valeu a pena. “Esse evento é muito importante como política pública de cultura para toda a população”, disse. “Milton é um artista que faz parte da nossa vida social e política e representa muito bem a minha época de juventude. Juntamente com Elis Regina, historicamente ele é muito importante para a minha geração”.

Caroline, que é de outra geração, bem mais recente, também é fã do cantor e compositor mineiro. “Meus pais sempre ouviram. Eles gostam de MPB, e eu sempre ouvi através deles”, explicou-se ela, que trabalha como psicóloga no município de Gandu. Ela também elogiou o evento natalino organizado pela Prefeitura de Vitória da Conquista. “É maravilhoso, porque não é todo mundo que pode ter acesso a shows assim, quando são pagos. E a população pode ter acesso à cultura e a tudo o que Milton pode proporcionar para a gente”, observou.

‘Divisor de águas’ – Outro casal, formado pelo dentista Coriolano Costa e por sua esposa, Dinha, também viajou especialmente por conta do Natal da Cidade – embora o trajeto tenha sido menor e menos complexo que os que foram percorridos por quem veio de Montes Claros, Itabuna e outros lugares. Eles saíram de Brumado, a cerca de duas horas de viagem. Coriolano não veio de mãos vazias. Foi da sua coleção pessoal de LPs, em que guarda cerca de mil discos, que apanhou o álbum duplo “Clube da Esquina nº 2”, de 1978, a fim de conseguir que Milton Nascimento o autografasse.

“Milton é um ícone da música brasileira, e o Clube da Esquina é um divisor de águas”, disse Coriolano, que também guarda boas recordações de Minas, onde morou por sete anos. “Esse projeto tem que continuar. A Prefeitura de Vitória da Conquista, todo ano, está fazendo um papel maravilhoso”. A esposa, Dinha, concordou. Afinal, é o terceiro ano consecutivo que ela participa do evento. “E não pretendo perder os próximos”, avisou. “É uma iniciativa maravilhosa, que todas as prefeituras deveriam adotar”.

‘Noite de lazer’ – No entanto, a maior parte do público que compareceu à quarta noite do Natal da Cidade era mesmo de Vitória da Conquista. E, mesmo dentro do perímetro urbano, houve quem se deslocasse de regiões que não são tão próximas da área central da cidade. Como o zelador Bruno Andrade, chefe de uma das vinte famílias que vivem no Assentamento Zumbi dos Palmares, localizado na região sul da cidade, próximo à saída para Itambé. Bruno levou a esposa, Ariele, os filhos e todo o restante da família à Praça Barão do Rio Branco, para o que descreveu como uma “noite de lazer”. “Acho muito bacana a Prefeitura trazer esse lazer para a população de Vitória da Conquista”, afirmou. “Dá para trazer a família, tranquilo, sem dificuldade nenhuma. O que importa é a cultura”.

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