Prêmio Lentes Rurais: 6ª edição do Festival de Cinema mobiliza comunidade de Bate-Pé

Pais, alunos e professores se reuniram para assistir aos filmes e acompanhar a premiação

Desde 2009, sempre que o ano letivo avança pelo segundo semestre e se encaminha para o final, os alunos do Centro Educacional Eurípedes Peri Rosa, em Bate-Pé, começam a ficar ansiosos. É quando se aproxima o já tradicional Festival de Cinema do distrito, momento em que eles podem ver na tela o resultado do trabalho teórico e prático a que se dedicam durante meses.

A história se repetiu na noite da última sexta-feira, 21, durante a 6ª edição do evento. Após participarem de aulas teóricas, eles mesmos se reuniram em grupos e se lançaram ao desafio de produzir seus próprios filmes – tarefa, aliás, à qual eles já estão habituados. Envolvendo-se em todas as etapas, da produção dos roteiros à montagem final, os alunos se sentiram à vontade para incluir nos filmes alguns elementos de seu próprio cotidiano. Entre os 22 filmes exibidos na edição deste ano, pelo menos três tratavam de bullying. Houve ainda os que retrataram o racismo e casos do folclore da região de Bate-Pé – além das inevitáveis referências à memória cinematográfica dos próprios alunos, que cresceram vendo produções norte-americanas pela televisão.

A 6ª edição incorporou ao evento algumas novidades. Este ano, também o processo de edição passou a ser executado pelos alunos. E os mais novos, que ainda cursam o Ensino Fundamental I, foram incluídos no projeto, concorrendo numa categoria à parte. A decisão visa garantir a continuidade do evento, já que alguns dos estudantes que participam desde o início estão concluindo o Ensino Fundamental II – e, por isso, já não estarão no colégio no próximo ano. “É o que eu chamo de cuidar do broto”, explicou o professor Davino Nascimento, coordenador do festival e, atualmente, também diretor da escola. “Os alunos de Bate-Pé têm um fascínio por escrever e ver sua ideia sendo representada lá. Com sete anos, eles já querem discutir um bom elenco. Eles têm essa visão daquilo que querem”, acrescentou.

‘Eu me identifico’ – Nos últimos dois anos, Gabriel Silva, 13, levou o prêmio de melhor ator. Ao repetir o feito em 2014, por sua atuação como o protagonista do filme “O sofrimento na escola”, tornou-se tricampeão. “Desde que entrei, nunca mais parei de participar. Nos filmes, eu me identifico”, disse o jovem ator, que, em 2013, destacou-se por viver num dos filmes um personagem inspirado em Charles Chaplin.

Segundo Gabriel, é natural – e também necessário – que os estudantes retratem em seus filmes assuntos que vivem diariamente, na escola e nas ruas do distrito. “A gente acaba vendo muitas coisas no dia a dia. E procuramos passar para as pessoas o que acontece, para elas refletirem e para ver se tomam aitudes”, afirmou.

‘Surpresa’ – O Prêmio Especial Lentes Rurais, outra novidade deste ano, foi entregue a Emanuel Nem Moraes. Nem, como é conhecido, é o responsável pela sala que abriga o cineclube da escola. Este ano, após chegar à unidade escolar, ele também ministrou para os alunos uma oficina sobre iniciação à informática e edição de vídeos – o que foi determinante para que eles pudessem, posteriormente, editar seus próprios filmes. “Ele qualificou a nossa escola de cinema aqui em Bate-Pé”, disse o professor Davino, ao justificar a entrega do prêmio.

“Para mim, é uma surpresa receber este prêmio, mesmo porque não vim para cá para buscar prêmio. Vim porque acredito no projeto”, disse Nem, de troféu nas mãos. “Junto com a direção da escola, a gente conseguiu alcançar um resultado satisfatório em relação aos anos anteriores do festival”, completou.

‘Gratificante’ – A emoção tomou conta da equipe responsável por “Perigo nas redes sociais”, assim que suas integrantes souberam que a obra havia levado o prêmio de melhor filme. “Quando você recebe o prêmio de melhor filme, é gratificante, porque todo mundo trabalhou e conseguiu”, comemorou Patrícia Ramos, 15, logo depois de passar pelo tapete vermelho e receber o troféu, junto com as colegas. “É ótimo, todo mundo trabalha em grupo, dá idéias, participa. E agora, recebendo esse prêmio, a gente fica até nervoso. Não sabe nem o que falar.”, concordou Heloisa Ribeiro, também de 15 anos.

‘Participei mais’ – Joice Lima, 14, foi premiada como melhor atriz por seu papel no filme “Não importa o sexo, o que vale é o amor”, do qual também foi a diretora. Ela participa do Festival de Cinema desde 2012, mas afirma que, por ter se envolvido mais intensamente, a edição deste ano foi a que mais lhe agradou. “Este ano foi diferente, porque participei mais. Gostei muito”, disse.

Edição – Entre os filmes que concorreram na categoria “mirim”, uma animação digital chamada “A fome” ficou com o prêmio de melhor edição. O responsável por esse processo, Eduardo Santana, 11, aprendeu sozinho a lidar com os mecanismos do programa no qual o filmete foi editado. Polivalente, ele também teve de se improvisar como ator em outro filme, ao substituir um colega que não pôde comparecer à filmagem. O tempo como “ator” foi curto, mas suficiente para que ele percebesse qual o lugar onde se sente mais à vontade. “Não gosto muito de atuar. Prefiro a parte de edição mesmo”, disse.

Confira todos os premiados da 6ª edição do Festival de Cinema de Bate-Pé:

Segmento mirim

Melhor atriz – Marinana Silva (“Bullying na escola”)
Melhor ator – Luis Gustavo (“O menino que sofria bullying na escola”)
Melhor direção – “Meu primeiro ano na escola”
Melhor filme – “O menino que sofria bullying na escola”
Melhor roteiro – “O menino que sofria bullying na escola”
Melhor edição – “A fome”

Segmento geral

Melhor atriz – Joice Lima (“Não importa o sexo, o que vale é o amor”)
Melhor atriz coadjuvante – Irla Paiva (“Perigo nas redes sociais”)
Melhor ator – Gabriel Prado (“O sofrimento na escola”)
Melhor ator coadjuvante – Aniel Oliveira (“Perigo nas redes sociais”)
Melhor edição – “Perigo nas redes sociais”
Melhor filme – “Perigo nas redes sociais”
Melhor fotografia – “O umbuzeiro fantasma”
Melhor direção – “Os caminhos da amizade”
Melhor roteiro – “Esquetes”
Prêmio Lentes Rurais – Emanuel Nem Moraes

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