Além da doença, Carlos Rodrigues Lopes tem enfrentado o preconceito

“Sofri muito preconceito, tanto dentro de casa, quanto com meus amigos. Tento lidar da melhor maneira possível, explicando o que é a doença e que não vai atingir ninguém, mas ainda tem gente que fala ‘eu não encosto naquele cara, ele tem isso e aquilo’. É terrível”. O triste depoimento é do auxiliar de produção, Carlos Rodrigues Lopes, 39 anos, que descobriu ter hanseníase há sete anos. Além das dores físicas, ele ainda precisa lidar com o preconceito da própria família e amigos.

Com o objetivo de alertar e informar as pessoas sobre a hanseníase, a Prefeitura promoveu nessa sexta-feira (26), o “dia da Mancha”, ação que faz parte do Janeiro Roxo, mês de prevenção da doença. “Lembrar a doença e mostrar como ela se caracteriza faz com que a pessoa se autoexamine e procure atendimento. O que é importante porque a hanseníase é uma doença contagiosa, ela não costuma ter sintomas, apenas a redução de sensibilidade no local da lesão’’, explicou a médica Cristiane Valera.

A hanseníase é uma doença silenciosa que começa com aparecimento de manchas brancas ou vermelhas no corpo, que não coçam e ficam fixas sempre no mesmo local, até perder a sensibilidade e pêlos. “Eu senti meu corpo empolar todinho, como se fosse uma alergia, depois apareceram vários caroços, várias feridas, quando eu fui ver era hanseníase”, explicou Carlos. Além disso, ele destacou a importância de ações como essa na cidade: “É ótimo! Tanto pra mim, quanto pra comunidade, se informar é melhor. Quando eu descobri, foi um baque, precisei ter um acompanhamento psicológico, eu não tinha informação sobre a doença, pra mim eu já ia morrer”.

Tanto cuidado com a doença é justificado. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o Brasil aparece em segundo lugar no ranking mundial, perdendo apenas para a Índia, e ainda é o único país onde a doença ainda é um problema de saúde pública. No ano de 2017, foram detectados 35 casos de hanseníase em Vitória da Conquista. “Ela ainda é cercada por muito preconceito. As pessoas têm medo de se aproximar do doente, mas a partir do momento que ele inicia o tratamento, ele deixa de ser transmissor e pode ter uma vida social normal. A doença tem cura e o tratamento é todo fornecido pelo Ministério da Saúde, então o paciente não tem custo nenhum, pode procurar o posto de saúde e vamos tratá-lo até o final’’, explicou a médica.

A ação teve início na quarta-feira (24) com uma atividade no Conjunto Penal.