O nome dele é Cosme. Mas pode chamar de Roberto Carlos, Julio Iglesias, Zé Bonitinho…

Se o estilo faz o homem, o servidor Cosme de Jesus Teixeira é feito de vaidade e orgulho, mas com uma generosa dose de simplicidade

O estilo inconfundível – blazer, óculos escuros e cabelos compridos, penteados e alisados com creme – valeu-lhe uma série de apelidos: Roberto Carlos, Julio Iglesias, Ritchie, John Lennon e o mais famoso: Zé Bonitinho. Mas Cosme de Jesus Teixeira, 47 anos, não se chateia com isso. Assume-se como um homem vaidoso e até se orgulha de ser chamado por esses nomes – principalmente quando eles vêm acompanhados por algum elogio a seu trabalho diário na Prefeitura de Vitória da Conquista, onde está desde a década de 80.

No entanto, mesmo quando demonstra orgulho do que faz, ele não consegue se desprender da indisfarçável simplicidade que o acompanha. “O que vale é fazer o trabalho com amor. O trabalho faz parte da luta”, diz, referindo-se a seu cotidiano: além de ser responsável pela limpeza do sanitário masculino, também lida com jardinagem e outros serviços em geral.

A simplicidade, que Cosme não consegue disfarçar, remonta à infância difícil, quando teve de abrir mão dos estudos para trabalhar e ajudar os pais. Ainda criança, ajudou-os a colher café em fazendas na região de Água Fria, zona rural de Barra do Choça.

Ele se recorda de que, num dado momento, tentou estudar. Deram-lhe um caderno, um lápis e uma borracha. Mas mal chegou a utilizá-los. A necessidade de pegar no batente urgia mais que a opção pelo estudo. A situação de sua família era difícil.

“Naquele tempo, não era como hoje. As mães pegavam os filhos e botavam para trabalhar cedo. Hoje, não. Hoje está bom, tem o estudo. As crianças não trabalham mais na roça”, resigna-se o servidor, que, em outro momento de sua infância, foi mais um entre os vários meninos que carregavam mercadorias nas feiras de Vitória da Conquista. “Eu botava três cestos aqui nos braços. Aí, recebia o dinheiro e ajudava minha mãe a comprar as coisas para dentro de casa”.

‘Sossegado’ – Quando não está trabalhando, ele gosta de ficar em casa. Descreve-se como um sujeito caseiro e tranquilo. “Sou um cara muito sossegado”, garante. Em casa, onde mora com a esposa e uma parte dos filhos e netos, ocupa o tempo com serviços de limpeza e o cultivo de plantas – atividades semelhantes àquelas que são suas atribuições na Prefeitura.

Mas, ultimamente, ele também vem se dedicando a aprender a tocar violão. Enquanto dedilha o instrumento, tem um dos netos como plateia. “Ele fica sorrindo, doido para eu tocar para ele”, conta o avô, orgulhoso.

Outro de seus orgulhos é a filha, que toca violão e costuma se apresentar em shows com uma banda. Nota-se, assim, que a música está entre as coisas de que Cosme mais gosta. Ele se diz fã de praticamente todos os cantores por cujos nomes os colegas de trabalho lhe chamam – talvez com sutil preferência por Roberto Carlos, de quem aprecia, principalmente, “O Portão” (Cosme canta: “Eu cheguei em frente ao portão; meu cachorro me sorriu latindo…”).

‘Querido’ – Cosme não espera que sua vida sofra grandes mudanças quando se aposentar – o que deve ocorrer dentro de poucos anos. Quer apenas continuar a viver com tranquilidade. A “luta” a que ele se referiu tornou-o bastante conhecido entre os colegas de trabalho. E esse é outro dos motivos de sua vaidade: uma espécie de “fama”, com a qual ele e os colegas se divertem, e que o leva a passar-se – ainda que na base da brincadeira – por Roberto Carlos, Julio Iglesias ou Zé Bonitinho. “É bom ser querido, né”, diz sorrindo o vaidoso servidor, enquanto retira do bolso do blazer um pequeno vidro de perfume.

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