Henrique da Silva e Maria de Lourdes, um mestre de capoeira e uma estudante de Medicina. Ela é da região de Rio de Contas; ele, de Piripá. Dois jovens pertencentes a comunidades quilombolas que tiveram um bom motivo para um encontro na manhã desse sábado, 29, em Vitória da Conquista: discutir os direitos dos quilombolas e refletir sobre políticas públicas de promoção da igualdade racial.

“Nós jovens temos esses compromissos de participar e buscar informações para levar aos nossos representantes mais velhos, para terem como se defender e estar mais esclarecidos”, acredita a estudante, que encontra apoio no pensamento do capoeirista: “há um tempo éramos povos esquecidos, hoje a sociedade traz pra gente pontos fundamentais para desenvolvermos o conhecimento e expandir esse conhecimento dentro das comunidades. Então, quanto mais a gente souber, melhor para levar para eles”.

Com palestra da procuradora da República e chefe da Procuradoria da Fundação Cultural Palmares, Dora Bertúlio, o encontro contou com a participação do coordenador de Defesa dos Direitos dos Povos das Comunidades Tradicionais, Wagner Moreira, e do representante regional da Fundação Cultural Palmares, Fábio Santana.

Segundo a procuradora, o momento foi de muita importância para a Fundação Palmares, que tem buscado estar mais próxima das pessoas. “Temos pensado muito em como fazer entradas no interior e nas comunidades. Os municípios que têm enfrentado o tema do racismo e da discriminação racial têm tido maior possibilidade de se desenvolverem socialmente, para além do econômico”, disse Dora Bertúlio.

Estudantes, militantes, representantes de comunidades quilombolas e lideranças comunitárias participaram do debate, acompanhado pelo secretário municipal de Governo, Edwaldo Alves, da procuradora Juscelma Leão e de membros do Conselho Municipal da Igualdade Racial.

Realizada no auditório da Secretaria Municipal de Trabalho, Renda e Desenvolvimento Econômico (Semtre), a discussão foi a atividade de encerramento da programação do Novembro Negro, realizada pela Prefeitura Municipal, por meio da Coordenação de Promoção da Igualdade Racial, vinculada ao Gabinete Civil.

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