Natal da Cidade mantém viva a tradição dos ternos de reis

Durante o evento natalino, as noites do centro da cidade reservam um lugar garantido para essas típicas manifestações culturais

Anualmente, ao longo de toda a programação do Natal da Cidade, o Governo Municipal se dedica a promover, em Vitória da Conquista, festejos que unem a universalidade dos signos natalinos à autenticidade regional da cultura popular. Por conta disso, é tradição no evento a valorização dos ternos de reis, autênticas manifestações culturais típicas da região sertaneja em que se insere o município.

Dessa forma, as noites do centro da cidade são tomadas pelo som de gaitas, sanfonas, violões, bumbos, triângulos e caixinhas de madeira. Esses instrumentos são tocados por pessoas simples que durante o ano desempenham suas atividades cotidianas. Até que, com o advento do período natalino, adquirem a personalidade de músicos a serviço de uma tradição que a maioria conheceu por meio de seus antepassados.

Fidelcina Santos

Tradição – Trata-se de gente como Fidelcina Santos Souza, 70 anos, moradora do distrito de Pradoso há mais de cinquenta anos, uma figura conhecida e respeitada por toda a comunidade local. Mãe biológica de 12 filhos – além de outros 15, de criação –, ela trabalhou durante muito tempo como costureira. Desempenhou ainda as funções de benzedeira e parteira. Não há como precisar o número de moradores do Pradoso que nasceram por meio de suas mãos.

No entanto, assim que adentra o mês de dezembro, Fidelcina incorpora o papel em que, talvez, se sinta mais à vontade: o de mestra do terno de reis “Reis dos Reis”, criado por ela há cerca de vinte anos, no Pradoso. No início, o grupo era formado majoritariamente por seus familiares, com alguns amigos. Nos últimos anos, com a morte de dois de seus filhos que participavam, ela teve de recorrer a outros conhecidos que vivem no distrito de Bate-Pé.

Assim como diversos outros ternos de reis atuantes no município, o de Fidelcina se apresenta todos os anos na programação do Natal da Cidade. Por meio dessa iniciativa da Prefeitura Municipal, os ternos de reis encontraram uma forma de perpetuar essa tradição, que, em determinado momento, esteve perto de desaparecer. “Acho isso muito bom. Gosto muito e pretendo continuar enquanto Deus me der vida, na festa da cidade e em qualquer colégio em que me chamarem para cantar”, diz Fidelcina, que participa desse tipo de manifestação cultural desde que tinha 10 anos de idade.

‘Valorização’ – Ao todo, 18 ternos de reis se apresentam na 17ª edição do Natal da Cidade. Todos os dias, eles se dividem entre o Memorial do Reisado e as praças Tancredo Neves e Barão do Rio Branco. No dia 25 de dezembro, há o já tradicional encontro de todos os ternos, circulando pela Praça Barão do Rio Branco. “É um dos momentos mais bonitos do Natal da Cidade”, avalia o secretário municipal de Cultura e Turismo, Gildelson Felício. “É uma beleza plástica e musical muito interessante, que a comunidade aprendeu a valorizar”.

Para Fidelcina e os demais mestres dos ternos de reis do município, essa “valorização” veio em boa hora e se mantém, ano após ano. “Acho que o povo gosta do meu terno, porque ele sempre é valorizado. Eu faço o melhor que posso”, emociona-se a mestra do “Reis dos Reis”.

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