Mostra Cinema Conquista: exposição ‘Verdade na Alma’ celebra a vida e a obra de Paulo Tiago

Ambientes mostram as várias facetas de sua criatividade: artista plástico, ator, roteirista, cineasta, clown, editor…

“Queria que ele estivesse aqui”, limitou-se a dizer o ator Gildásio Leite, quando perguntado sobre como se sentia em meio às homenagens feitas pela 11ª edição da Mostra Cinema Conquista a seu filho Paulo Tiago, morto em novembro de 2014, aos 32 anos. Obviamente, Gildásio não é a única pessoa a manifestar tal desejo. Por essa razão, o evento dedica ao artista ausente a exposição Verdade na Alma, que pode ser vista no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima até o próximo dia 9, sempre das 18h às 22h.

Se Paulo Tiago ausentou-se fisicamente, a exposição se encarrega de fazer com que a presença desse criador versátil e autodidata – foi roteirista, cineasta, editor, clown e artista plástico – se impregne na memória dos que frequentam o espaço. Isso, aliás, não é por acaso. Segundo o curador da exposição, Vinícius Purki, o objetivo foi promover não exatamente uma homenagem, mas uma celebração. “Queríamos que a obra dele permanecesse viva no espaço, e que as pessoas sentissem como ele era em vida”.

Paulo era um criador inquieto. Desenhava até em papéis de pão e fundos de guarda-roupas, e não fazia questão de datar ou assinar todos os trabalhos. Coube a Purki o trabalho de debruçar-se sobre sua vasta obra e estabelecer critérios para selecionar o material e compor a concepção artística de Verdade na Alma.

Passeio intimista – Ao iniciar seu trabalho, o curador se deparou com mais de 300 trabalhos de arte visual – talvez a faceta menos conhecida da produção de Paulo. Teve trabalho, mas selecionou cerca de 40 para a exposição. “Foi um processo de arquivologia, para ir lá, ver o que tinha, selecionar, conservar, emoldurar, descobrir quais eram as séries”, relata Purki.

Os desenhos são de rostos humanos com olhares distantes, alguns masculinos, outros femininos, alguns andróginos. Nenhum deles sorri. “É como se você estivesse fazendo um passeio pelo centro de uma cidade, vendo esses personagens, sentindo a tristeza e a alegria de cada um e descobrindo cada traço de personalidade ali, mesmo sendo um transeunte ou um desconhecido”, compara Purki.

O resultado se revelou um ambiente que lembra uma espécie de labirinto, embora nele impere um clima um tanto intimista. As ilustrações foram dispostas em espaços que remetem a um quarto, um corredor, um ateliê, uma sala e outro quarto que traz referências às influências espirituais do artista.

“Ele tinha dois orixás como eixos da vida: exu e oxalá. Os dois estão na exposição”, explica Purki. “Tem muito esse lance de subverter um pouco o espaço do Centro de Cultura para que não se parecesse tanto com uma galeria de arte, e para que fosse um ambiente mais intimista”.

‘Celebração da vida’ – Na parte externa do Centro de Cultura, outros espaços da exposição trazem referências ao trabalho em teatro e à produção audiovisual de Paulo Tiago, além de aspectos biográficos. Isso porque, como disse o curador, o trabalho consistiu em “espalhar Paulo Tiago pelo Centro de Cultura”.

No entanto, em qualquer um dos eixos temáticos, por mais que se descreva em detalhes, a exposição somente se revela se for vista pessoalmente, como fazem, todos os dias, várias pessoas entre uma sessão e outra da Mostra Cinema Conquista. O clima que impera é o que foi almejado pela equipe que a produziu e montou: nada, absolutamente nada que se aproxime do sentimento de luto.

“Isto não tem nada a ver com velório. É uma celebração da vida e da obra dele. E o que continua é essa energia que ele deixou para a gente, para os atores, os que visualizam uma pintura dele, que veem um filme dele ou leem um poema escrito por ele”, sintetiza Purki. “Paulo impregnava tudo o que fazia, e fazia tudo com muita verdade. Não é coincidência que colocamos na exposição o nome de Verdade na Alma”.

Exposição Verdade na Alma

Direção de arte / Expografia: Vinícius Purki
Pesquisa e produção executiva: Luiza Audaz
Pesquisa e produção audiovisual: Isaac Souto e Gabriela Leite
Assistente de produção: Edilando Ferraz
Montagem (cenotécnica): Jeferson Brito, Thaty Roots e Anderson Carvalho
Texto: Veruska Anacirema

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