Marinho, o topógrafo: ‘barrageiro’, sim, e com muito orgulho

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Desde 1999, ele faz o mesmo que o pai fazia – ajuda a construir barragens para o armazenamento de água

Pouco antes do São João de 1999, o topógrafo Manoel Bento Marinho estava para completar 50 anos e havia acabado de concluir um ano e meio de trabalho na região de Sauípe, numa área de proteção ambiental a 76 quilômetros de Salvador, onde estavam em andamento as obras de um dos principais complexos turísticos da América do Sul.

Recém-contratado por outra empresa, que acabara de vencer a licitação para uma obra estadual, Marinho viajou a Salvador. Na capital baiana, ele soube de um concurso público aberto pela Prefeitura de Vitória da Conquista, cidade a pouco mais de 500 quilômetros dali, que ele ainda não conhecia.

Entre as mais de mil vagas abertas pelo certame, havia duas para o cargo de topógrafo. Até então, ele jamais tivera nenhuma experiência no serviço público. Desde que se formara, em 1971, trabalhara durante 28 anos na iniciativa privada, inclusive em empresas que estiveram na construção da rodovia Transamazônica – uma das obras do governo Médici (1969-1974) – e na instalação de plataformas da Petrobras.

Mesmo assim, Marinho decidiu arriscar. Viajou a Vitória da Conquista, fez a prova no mês de julho e conseguiu ultrapassar a marca de três mil pontos que, segundo ele recorda, era a pontuação mínima exigida para ocupar uma das vagas. Em 15 de outubro, a posse como servidor deu início a uma nova trajetória profissional que, hoje, já dura 17 anos.

‘Barrageiro’ – Assim, Marinho repetiu o caminho anteriormente seguido por seu pai, José Marinho Araújo, e se tornou um “barrageiro”, como ele mesmo se autodefine. Ou seja, alguém que trabalha na construção do que aqui se chama de barragem, e que em outros estados do Nordeste se costuma definir como açude.

É essa sua principal atribuição na Secretaria Municipal de Agricultura, embora seus préstimos como topógrafo também sejam solicitados pela equipe de engenharia em obras de pavimentação, instalação de sistemas de água e construção de creches, quadras e escolas.

Mas a maior parte do tempo, Marinho passa mesmo na zona rural, envolvido em levantamentos topográficos que duram todo o período de construção de uma barragem. Todas as que foram construídas pela Prefeitura, desde 1999, levam sua assinatura como topógrafo.

‘Água por gravidade’ – Foi assim na primeira barragem que ele acompanhou do início ao fim, no povoado de Roseira, situado na região de José Gonçalves. Era ainda o ano de 1999. A barragem tinha cinco metros de barramento e estava danificada havia cinco anos. “Nós a aumentamos com dez metros de altura. E até hoje ela está lá”, garante Marinho, orgulhoso.

E também foi assim numa de suas empreitadas mais recentes: a barragem do povoado de Matinha,  concluída em outubro na região de Bate-Pé. Marinho considera a obra promissora. O levantamento feito por ele já previa a capacidade para armazenar até 160 milhões de litros de água. A base do “paredão” tem 50 metros de largura por 70 de comprimento. De altura, são 12 metros. As escavações para fazer o “sucavo” (fundação que sustenta o “paredão”) atingiram dois metros de profundidade.

Marinho acredita que, por estar situada a cerca de 25 metros de altitude em relação ao nível das casas do povoado, a barragem facilitará a captação de água. “Essa barragem vai poder mandar água para o povo da Matinha por gravidade. Essa é uma característica que poucas barragens têm”, analisa.

‘Nasci numa barragem’ – O São João de 1999 não é o único a ter importância simbólica para Marinho. Ele nasceu justamente nessa data, só que cinquenta anos antes – em 24 de junho de 1949. O topógrafo conta que seu pai convidara sua mãe para passarem juntos os festejos juninos, num lugarejo do interior do Ceará onde seu pai, na época, estava envolvido na construção de uma barragem. No adiantar da festa, em meio ao som de sanfonas, zabumbas e fogos de artifício, a mãe de Marinho sentiu as dores do parto e ele nasceu ali mesmo. “Costumo dizer que eu nasci numa barragem”, diverte-se o servidor.

Por isso, ele diz sentir “uma alegria muito grande” quando vê a barragem pronta, e principalmente quando as chuvas conseguem fazer com que o reservatório “sangre”. “Nunca pensei que fosse encerrar minha carreira profissional numa atividade que meu pai fazia”, relata Marinho. “Isso é a coisa mais importante. Água é vida, sem ela não existe nada”.

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