Marlene Marinho, 63, lavadeira há 30 anos


Lavar roupa é ainda uma fonte de renda para muitas mulheres. E em Vitória da Conquista, cerca de 40 lavadeiras mantêm viva a tradição de levar e lavar suas vestimentas ou de outras famílias em uma das três lavanderias públicas do município.

“Ganha pão” – Dona Marlene Marinho, 63, é uma dessas trabalhadoras. Ela frequenta a lavanderia do Guarani desde que o equipamento foi inaugurado. “Estou aqui já tem quase 30 anos e o povo da Prefeitura me ajuda. Eu sou muito grata por isso. É uma coisa muito boa, que ajuda várias pessoas.” Mãe de cinco filhos e viúva há oito anos, Marlene lava roupa de ganho para tirar o seu sustento, como diz: “Eu fico aqui lavando roupa para ganhar o pão de cada dia. Criei meus filhos tudo com lavagem de roupa, tirando daqui da lavanderia”.

Suas idas à lavanderia diminuíram por conta do problema de saúde. “Tô com o pé doente. A médica já parou, mas ainda não pude parar ainda”, conta. Mesmo assim, dona Marlene chega ao local às 7h, horário em que é aberto, e só sai às 16h, quando acaba o expediente. “O dia todo a gente fica aqui, tem os amigos da gente e agora tem até o Cras para ter palestra com a gente”, comenta.

A equipe do Cras Pedrinhas, que atende ao bairro Guarani, vai duas quartas-feiras ao mês ministrar palestras com psicólogo e assistente social, além de auxiliar as lavadeiras na retirada de seus documentos.

Teresa Sampaio, 53, há 25 anos tira seus sustento lavando roupa


“Terapia”
– “Aqui é uma terapia. Você conversa com uma, conversa com outra. Às vezes você está estressada, começa a lavar e a tristeza vai embora. É muito bom aqui, é bom demais”, afirma Teresa Sampaio, de 53 anos de idade. Ela se refere à Lavanderia Pública do Conquistinha, espaço que frequenta há 15 anos. Lá, a lavadeira está de segunda a sexta-feira, a partir das 7h, para ganhar o seu sustento: “aqui ajuda bastante, pois se for lavar em casa não dá não. O dinheiro que ganha só vai dar pra pagar a água e aqui sobra um pouquinho para as despesas da casa”. Antes, a mãe de nove filhos e avó de 13 netos lavava a roupa em sua própria residência.

Daniela Gonçalves, 31, louva à Deus pela lavanderia pública e elogia os reparos realizados


“Ajuda grandíssima”
– Já Daniela Gonçalves, 31, que é vizinha do equipamento público, começou a usar a Lavanderia do Conquistinha para lavar suas roupas, mas como precisou sair do emprego, a avó de seu esposo acabou passando as roupas para ela. “É uma ajuda grandíssima. Eu louvo a Deus porque se não tivesse aqui não ia ter oportunidade de trabalho para mim e para as outras que ganham também lavando roupa. Além disso, no tempo do racionamento pegamos água aqui”, declarou a moradora da Rua Guilhermino Novais.

Outra ação que Daniela elogia foi a reforma do espaço, realizada pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos: “Já tinha muito tempo que teve a reforma aqui. Depois que reformou melhorou muito a aparência do lugar; varais foram colocados e os buracos foram tampados”. Ainda foram trocadas as lavanderias e torneiras e houve manutenção da rede elétrica.

O Governo Municipal também realizou reparos nas lavanderias do Guarani e Panorama. Em média, 175 famílias se beneficiam com o uso desses equipamentos todo mês.