Ismênio da Silva: zona rural é com ele mesmo

Manutenção de estradas, limpeza de tanques, construção de barragens… Em tudo isso, multiplica-se a presença desse experiente servidor

O servidor Ismênio Bispo da Silva, 52 anos, costuma chegar diariamente à Central de Equipamentos da Prefeitura de Vitória da Conquista por volta das 6h. Lá, sob sua responsabilidade, há uma equipe de 16 pessoas, além de três tratores do tipo “patrol”, um do tipo “esteira”, duas retroescavadeiras, uma pá mecânica e quatro caminhões (três caçambas e um pipa), além da picape que ele dirige.

Liderando esse grupo, e munido de todo esse aparato de máquinas, Ismênio cuida para que sejam executados, no chamado “lado direito” do interior – onde estão localidades como Bate-Pé, Campo Formoso, Roseira etc. – serviços como manutenção de estradas, limpeza de tanques e aguadas, construção de cacimbas no leito de rios e simplesmente tudo o que diz respeito à construção de barragens, desde a medição da área do reservatório até o cálculo de horas trabalhadas pelos tratoristas.

Como a zona rural conquistense é composta por 11 distritos, mais de 300 povoados e cerca de 2.600 quilômetros de estradas, a Prefeitura executa esses serviços de forma permanente. Em se falando de barragens, por exemplo, 19 já foram construídas desde 2013 e as obras da 20ª estão em andamento. Por isso, o trabalho de Ismênio – literalmente – não para. É por estar envolvido nessa atividade ininterrupta que, com indisfarçável orgulho, ele garante ter memorizado, na prática, todo o mapa do interior do município.

“Conheço o município todinho, dos dois lados, como a palma da minha mão. Posso não me lembrar dos nomes das pessoas, mas dos lugares onde elas moram, sim. Qualquer lugar que você falar, eu vou sem dificuldade nenhuma”, assegura Ismênio, que trabalha na Secretaria Municipal de Agricultura desde 2001.

‘Valorização’ – O contato com o universo rural é algo a que Ismênio está habituado. Afinal, ele nasceu no povoado de Baixa do Muquém, a 35 quilômetros da zona urbana, na região de José Gonçalves. O trabalho, da mesma forma, não chega a ser uma novidade. Trabalha desde os seis anos, quando, já morando com a família em São Paulo, comprava caquis e amendoins e os revendia no bairro do Itaim Paulista.

Com 14, retornou pela primeira vez à cidade natal. Nessa época, foi ajudante de camelôs e trabalhou em fábricas de alumínios e de cordas. Aos 18, viajou novamente a São Paulo – desta vez, sozinho – para ganhar a vida como cobrador de ônibus e, em seguida, numa fábrica de colchões. Sua segunda incursão pela capital paulista durou seis anos, durante os quais se dedicou a diversas atividades profissionais, até que voltou em definitivo para Vitória da Conquista.

Desta vez, Ismênio se dedicou a vender confecções por vários municípios das regiões sudoeste, sul e oeste da Bahia. Quando esse ramo se esgotou, passou a dirigir carros-fortes numa empresa de segurança. Mas, aí, a firma em que trabalhava faliu. Foi nesse ano, 1999, que ele soube que a Prefeitura promoveria um concurso público e decidiu se inscrever. A aprovação introduziu-o na que talvez seja a etapa profissional mais longa e estável de sua vida. “Foi uma decisão muito boa. Meu interesse era trabalhar na Prefeitura. É muito bom, pois, quando você trabalha num lugar onde o pessoal te valoriza, é a melhor coisa que tem”.

‘Emoção’ – O trabalho na Secretaria Municipal de Agricultura, segundo Ismênio, costuma lhe garantir alguns momentos de grata satisfação. Um exemplo foi durante a construção da barragem de Furadinho, entregue pela Prefeitura à comunidade no dia 18 de julho. Foi a 19ª a ser concluída nos últimos dois anos, com capacidade para acumular quase 100 milhões de litros de água e beneficiar 100 famílias da região.

Ismênio conta que o trabalho foi árduo, mas a reação da comunidade, diante do reservatório concluído, o emocionou. “Chegamos lá e só tinha a mata brava. Aí, entramos com o trator, derrubando tudo, e fomos limpando. Abrimos o sangrador. No dia da inauguração da barragem, foi a maior emoção”, relata, satisfeito.

‘Gosto do que faço’ – Embora o trabalho lhe consuma boa parte do tempo, Ismênio garante que não o encara como sacrifício, muito pelo contrário. “Estou sempre à disposição. Trabalho porque gosto muito do serviço que eu faço”, afirma. Quando está em casa, no bairro Nossa Senhora Aparecida, o servidor gosta de aproveitar ao máximo a companhia da esposa, com quem é casado há 25 anos, das duas filhas, hoje com 20 e 15 anos, e da pequena neta, que tem quase dois. “Quero que elas sigam meu ritmo, trabalhando honestamente”, diz.

E, para se divertir nos finais de semana, ele diz não precisar de muita coisa para se divertir. Garante que um bom jogo de dominó com os familiares, já é suficiente para distraí-lo, enquanto não chega a próxima segunda-feira e, com ela, mais uma semana de trabalho, chegando às 6h à Central de Equipamentos da Prefeitura, e de lá para mais um ciclo de trabalhos diversos na zona rural. “A gente segue trabalhando no dia a dia. E Deus determina o resto”, filosofa o servidor.

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