III Seminário de Mulheres Negras e Quilombolas é realizado em Vitória da Conquista

Noite de abertura teve palestra sobre “estética, poder e identidade”; programação continua no sábado, 29, com mesa-redonda e oficinas temáticas

A noite de abertura do III Seminário de Mulheres Negras e Quilombolas de Vitória da Conquista, na noite de sexta-feira, 28, na Câmara Municipal, adiantou aspectos do tema que orienta esta edição do evento, e que continuará a pairar sobre as discussões que continuam a ocorrer ao longo da programação de sábado, 29: “estética, poder e identidade”.

Promovido pela Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Coordenação de Promoção da Igualdade Racial, o seminário abre espaço para discussões e reflexões que pretendem levar as mulheres negras a se auto-afirmar, tomando consciência de sua própria autonomia e, consequentemente, tornando-se maiores do que os efeitos do preconceito racial e de gênero.

“Nossa luta é de séculos. E fico feliz por perceber que estamos realmente avançando”, observou a coordenadora municipal de Promoção da Igualdade Racial, Elizabeth Lopes. “O que quero é que nós, mulheres negras, possamos sair deste evento muito mais fortes e empoderadas, para que possamos continuar lutando”, complementou.

Os avanços, pelo menos no âmbito municipal, são o fato de que a Prefeitura de Vitória da Conquista dispõe, hoje, de uma coordenação dedicada especialmente à promoção da igualdade racial.

Conquistas – Antes disso, no entanto, o Governo Municipal já se dedicava a essa luta em particular. Já em 1997, foi criado o Conselho Municipal da Mulher. Em 2002, a Prefeitura foi um dos entes que se empenhou para que o município conseguisse uma Delegacia Especializada de Atenção à Mulher (Deam).

Em 2006, foi fundado o Centro de Referência Albertina Vasconcelos, dedicado a oferecer atendimento, acompanhamento e orientação psicossocial e jurídica a mulheres que tenham sido vítimas de violência, tanto na zona urbana quanto na rural. Cerca de 13 mil mulheres já foram beneficiadas pelo serviço em atendimentos internos. Outras 16 mil passaram pelo atendimento externo. Atualmente, o Crav mantém aproximadamente 440 mulheres atendidas.

Em março deste ano, o Tribunal de Justiça da Bahia instalou em Vitória da Conquista a Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, cuja competência lhe permite processar, julgar e executar causas cíveis e criminais decorrentes da prática de violência contra a mulher. A nova Vara fortalece as ações que já são desenvolvidas pela Rede de Proteção à Mulher existente no município.

‘Debate enriquecedor’ – Ainda assim, como registrou o prefeito Guilherme, “é uma luta de sempre”, cuja culminância se dá em eventos como o seminário. “Este debate é enriquecedor para que todos possam crescer no sentido de se ter uma sociedade mais igual, fraterna e democrática, com direitos iguais para todos, porque ninguém é melhor do que ninguém”, acrescentou ainda o gestor.

De acordo com a vereadora Irma Lemos – que representou a Câmara na abertura do evento –, o preconceito, principal “adversário” a ser vencido nessa “luta”, às vezes custa a ser percebido, embora sempre se manifeste. “Ele vem tão sutil que você nem percebe que está sendo discriminada. E isso é triste, porque sabemos que a inteligência foi dada a todo mundo”, argumentou a parlamentar.

Abrindo a discussão – Para a palestrante da noite, Nairobi Aguiar – que representou Vera Lúcia Barbosa, da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) –, o grande trunfo do seminário é tornar mais visível a discussão sobre um assunto que foi ignorado durante décadas na história do Brasil, mas que, há alguns anos, vem ganhando visibilidade, também por conta de iniciativas governamentais.

“Hoje, o Estado brasileiro e o Estado baiano reconhecem essa dívida histórica com a população de mulheres e jovens negras que, durante muito tempo, não tiveram acesso a poder falar, mostrar sua cultura e seu posicionamento histórico, político e ideológico”, afirmou Nairobi.

É o que pensa também a professora Priscilla Leonnor, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). “Essas discussões, como este evento, que está na terceira edição, têm uma presença muito importante. É a primeira vez que participo, e percebo que isto só vem a melhorar o movimento”, afirma Priscilla, que disse pretender intensificar sua atuação para que as mulheres negras e surdas, como ela, também se aproximem das discussões. (Priscilla se orgulha de ser a primeira mulher negra e surda da Bahia a se formar em Pedagogia. Ela também é assessora da recém-fundada Associação dos Surdos de Vitória da Conquista.)

‘Satisfeita’ – Participaram da noite de abertura representantes de comunidades quilombolas de Vitória da Conquista, como Boqueirão, Baixão, São Joaquim do Sertão e São Joaquim de Paulo, e também de outras cidades, a exemplo de Bananal, pertencente a Rio de Contas. E, em meio às mulheres presentes, destacou-se uma homenageada: Anísia Maria de Souza, a “Vó Anísia”, moradora mais antiga da comunidade quilombola de Boqueirão, na região do distrito de José Gonçalves.

Presenteada com um robusto arranjo de flores, ela agradeceu ao Governo Municipal da forma simples como sempre viveu: “Muito obrigada. Estou muito satisfeita com a minha vida”. A frase pode soar prosaica, mas representa muito quando dita por uma mulher quase centenária.

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