Governo Municipal é apresentado a projeto que pretende usar a tecnologia digital para difundir o cinema no interior

Ideia foi apresentada pelo professor e pesquisador Guido Lemos, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem atualmente 5.564 municípios. Destes, aproximadamente 93% não possuem nenhuma sala de cinema. Para o professor Guido Lemos, pesquisador do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (Lavid) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), não é difícil explicar essa realidade. “O modelo de cinema analógico foi gerando uma concentração em salas de multiplex em shopping centers, e os pequenos cinemas do interior foram fechando, todos”, esclarece Lemos.

A fim de fazer com que as populações que vivem nas pequenas localidades do interior possam voltar a ter acesso à cultura, através do cinema, o professor aposta na tecnologia digital como alternativa. Ele defende que, por gerar custos mais baixos no que se refere aos processos de produção, exibição e distribuição, esse novo tipo de tecnologia pode ser um meio de democratizar o acesso da população a um conteúdo audiovisual de qualidade.

‘Desafios e oportunidades’ – Basicamente, foi esse o assunto apresentado na última quarta-feira, 3, a integrantes do Governo Municipal*, durante uma reunião no Gabinete Civil da Prefeitura. O encontro foi intermediado pelo professor Edgard Larry, presidente do Conselho Municipal de Educação e diretor-geral da Faculdade Independente do Nordeste (Fainor) – instituição onde o professor Guido Lemos também pôde apresentar o projeto.

Segundo Lemos, a tecnologia digital oferece “desafios e oportunidades”. No caso das oportunidades, pode-se pensar em maneiras viáveis de compartilhamento de conteúdo audiovisual, atuando com o fim de levar o cinema de volta ao interior do país. E, como desafio, ele pensa em fazer com que isso possa chegar a toda a população brasileira, já que o suporte digital tem maior potencial democrático do que o antigo meio analógico.

“É um novo conceito”, avisa o professor. “Os cinemas agora vão ser conectados, e você vai poder ter produção local exibida localmente e escoando para os parceiros de outras cidades brasileiras e até de outros países, que tenham interesse em conteúdo produzido aqui. A ideia é que também eventos ao vivo possam ser capturados nesses espaços e transmitidos para outros”.

‘Ressuscitar o cinema’ – A ideia surgiu em 2011 e se solidificou nos últimos anos, a partir de uma parceria entre a UFPB e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), incluindo ainda contatos com setores do Governo Federal. As discussões consistiam em como desenvolver tecnologias para exibição de filmes em grande porte (8K, 4K e 2K, por exemplo), o que era a vanguarda do desenvolvimento tecnológico para a visualização de imagens digitais. Mas, ao mesmo tempo, também se discutia sobre formas de “ressuscitar” o cinema no interior, por meio do desenvolvimento de kits tecnológicos bem mais baratos e baseados no novo conceito trazido pela tecnologia digital.

As conversas com outros agentes que poderiam se envolver em novas parcerias, a exemplo da que houve com o Governo Municipal no dia 3, seguem agora outro estágio: como testar essa nova tecnologia fora dos limites da universidade, em pequenas comunidades urbanas e rurais. “Estamos tentando criar condições para um primeiro teste desse novo desenvolvimento tecnológico. É uma nova proposta de cinema no município, que tem características bem interessantes”, ressaltou Lemos, que destacou o fato de Vitória da Conquista possuir grande quantidade de distritos e povoados rurais (são 304), os quais se encaixam em sua proposta de retomada do cinema.

‘Estamos abertos’ – Além das localidades rurais, o município dispõe ainda de equipamentos urbanos como o Centro Glauber Rocha – Educação e Cultura, que dispõe de um espaço no qual será instalada uma sala de projeção em 3D com planetário; o Centro de Artes e Esportes Unificados (Praça Ceus), em fase final de construção, que conta com espaços de cinema e teatro; e a sala de cinema onde funcionou o antigo Cine Madrigal, adquirida pela Prefeitura para ser futuramente reservada a atividades de cultura e educação. Por tudo isso, o prefeito Guilherme Menezes afirmou ao professor Lemos que o município está “aberto” a essas novas ideias. “Temos todo o interesse em discutir essa matéria. Estamos abertos a utilizar a tecnologia para o que há de melhor”, garantiu o gestor.

*Além do prefeito Guilherme Menezes, o Governo Municipal foi representado pelo secretário municipal de Educação, Valdemir Dias e pelo diretor do Núcleo de Tecnologias da Informação, Gilberto Veroneze. O professor Larry esteve acompanhado por colegas da Fainor e por outros professores e pesquisadores da UFPB.

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