Estudante com paralisia cerebral conquista mais autonomia e novas habilidades na Rede Municipal de Ensino

Com o atendimento educacional especializado, João Vítor melhorou sua coordenação motora, está aprendendo Libras e ganhou mais intimidade com o computador

Estimulado pela professora Evanice Duarte, responsável pela sala de recursos multifuncionais da Escola Municipal Lycia Pedral, o estudante João Vítor Oliveira, 13 anos, reproduz com as mãos, um por um, os sinais que simbolizam as letras do alfabeto da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ele já consegue representar a maioria das letras, e aprendeu ainda os sinais que simbolizam expressões como “oi” e “bom dia”.

Para qualquer pessoa, esse aprendizado poderia ser considerado uma vitória. Mas para um garoto com as características de João Vítor, o significado é bem maior. Ele nasceu com um tipo de paralisia cerebral cujos sintomas incluem a surdez e o comprometimento da coordenação motora. O garoto não consegue manter sob seu controle todos os movimentos das mãos.

Por isso, cada novo sinal aprendido é motivo de comemoração por parte da professora e também de sua mãe, Maria – justamente porque, para ele, cada uma dessas pequenas vitórias resulta de um esforço particular bem maior do que seria para a maioria de seus colegas. “É um esforço muito grande, tanto cognitivo quanto físico”, explica Evanice.

Segundo Maria, a autonomia que vem sendo conquistada por João Vítor tornou-se mais evidente a partir do momento em que ela, diante da impossibilidade de mantê-lo em instituições privadas, resolveu matriculá-lo na Rede Municipal de Ensino, aos 11 anos. “Lá, ele se encontrou. Foi bem recebido, respeitado e amado”, diz a mãe.

Levado inicialmente à Escola Municipal Pedro Francisco de Moraes, onde esteve por dois anos, João Vítor passou a ter acesso ao atendimento educacional especializado (AEE), oferecido pela Prefeitura nas 12 salas de recursos multifuncionais atualmente em funcionamento no município.

Essas salas se dividem em Tipo 1 e Tipo 2. Ambas possuem o mobiliário pedagógico necessário para atender a vários tipos de deficiência, mas a de Tipo 2 têm como acréscimo o equipamento específico para alunos cegos e com baixa visão.

‘Ele está feliz’ – Em 2014, a Rede Municipal de Ensino registrou as matrículas de 1.229 estudantes com deficiência*. Na Lycia Pedral, unidade com mais de 900 alunos matriculados em 2015, até o mês de março, já haviam sido identificadas pelo menos 26 crianças com algum tipo de deficiência. Há casos de surdez, síndrome de Down, baixa visão, paralisia cerebral, entre outras. Somente na sala onde João Vítor cursa o 4º ano do Ensino Fundamental, são cinco estudantes com deficiência.

De acordo com a professora, essa condição jamais interferiu na interação do garoto com os colegas. No último dia 5 de março, por exemplo, seu aniversário de 13 anos foi comemorado com uma festa na sala de aula. “Os colegas interagem com ele. Querem estar perto dele”, conta a professora.

Os alunos com deficiência frequentam a sala de recursos multifuncionais no turno oposto ao de suas aulas regulares. Lá, eles são recebidos por professores qualificados para subsidiá-los, técnica e pedagogicamente. Participam de atividades que pretendem desenvolver seu raciocínio lógico e ampliar-lhes a autonomia, por meio de jogos lúdicos ou que envolvam algum tipo de desafio.

João Vítor, por exemplo, começou a lidar com o computador e já desenvolveu várias habilidades que vão além do aprendizado em Libras e surpreendem sua mãe. “Hoje ele baixa jogos, vê desenhos. Ele está feliz, e nós também, pois está se desenvolvendo bem e melhorou a coordenação motora”, afirma Maria.

‘Referência’ – Segundo a professora Evanice, os avanços alcançados por João Vítor resultam de dois elementos determinantes: a persistência de sua família, que jamais deixou de estimulá-lo, e a própria postura ativa do menino. “Ele não fica preso à cadeira de rodas. Toda atividade, quer fazer sozinho e é muito curioso. E se ele tivesse uma família que não o tivesse estimulado, não teria tido os progressos que teve”, explica a educadora.

A mãe, Maria, considera ainda um terceiro elemento, complementar aos dois primeiros: o aparato pedagógico e o atendimento educacional especializado, oferecidos pela Prefeitura a todos os alunos com deficiência que estão matriculados na Rede Municipal de Ensino – inclusive, seu filho. “Estou tranquila, estamos muito satisfeitos. E nossa esperança é que ele melhore ainda mais a cada dia”, afirma. “Meu desejo é que ele seja referência de escola do município. Aonde eu for, vou levar isso”.

*O número mais atualizado, referente aos alunos com deficiência matriculados na Rede Municipal em 2015, será conhecido assim que for concluído o censo escolar.

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