Escritora Conceição Evaristo participa de discussões sobre igualdade racial e literatura em Vitória da Conquista

Com o tema ‘Escrevivências’, evento foi realizado na Casa Memorial Régis Pacheco

Questões referentes à igualdade racial e à literatura brasileira – sobretudo o engajamento literário de Conceição Evaristo – compuseram a pauta durante as discussões realizadas na terça-feira, 18, na Casa Memorial Régis Pacheco, sob o tema “Escrevivências”.

E, para debater sobre esses assuntos, o público – formado por pesquisadores, professores e estudantes – pôde dispor da presença da própria escritora. Recém-chegada de Paris, onde participou do Salão do Livro e lançou a tradução de seu livro Ponciá Vicêncio para o francês, Conceição veio pela primeira vez a Vitória da Conquista.

“Eu viria, nem que fosse a pé”, disse a escritora, em tom descontraído. “Não faz sentido estar no Salão do Livro, em Paris, e não estar em Vitória da Conquista ou em qualquer outra cidade do Brasil”, completou.

‘Representação própria’ – O público tinha mesmo motivos para querer vê-la e ouvi-la. Por meio de seus personagens, Conceição estabelece uma linguagem direta com a população negra, levando-a a afirmar-se.

“A elite sempre teve o poder de criar uma representação para si própria e para o outro. Minha literatura traz essa possibilidade do outro ser o sujeito do seu próprio discurso e da sua própria escrita. Talvez por isso tantas pessoas se sintam contempladas, principalmente as mulheres. E as mulheres negras”, avaliou.

De forma especial, seus leitores se interessam por Ponciá Vicêncio, a protagonista do romance homônimo, lançado em 2003. Segundo Conceição, esse magnetismo da personagem não é por acaso: “Ela é extremamente só. E esse sentimento de solidão, todo ser humano experimenta, seja branco, preto, homem, mulher, pobre, rico… Acho que consigo, a partir de uma história particular, falar com todas as pessoas de um modo geral”.

Para Joyce Salazar, mestranda em Letras pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e uma das organizadoras do “Escrevivências”, a escrita de Conceição tem um “diferencial” por dar voz a setores que geralmente não a encontram por outros meios. “A sua literatura é muito importante para a população negra, porque você vai ver ali o negro refletido de uma forma diferente daquela a que a gente está acostumado”, analisou.

Contato direto – Entre os que foram à Casa Memorial Régis Pacheco para participar das discussões com a escritora, havia pessoas que a conhecem há anos, como a professora Suzete Lima, responsável por intermediar o contato com Conceição e convidá-la para vir a Vitória da Conquista. Suzete mora em Paris há algum tempo. Mas, antes, viveu em Conquista por oito anos.

Foi nessa época que realizou um trabalho com adolescentes envolvidos com o movimento hip hop, apresentando-os à poesia de Conceição. “Eles trabalharam muito a poesia da Conceição sem conhecê-la. E hoje têm a oportunidade de lidar diretamente com a autora”, destacou.

Mas também havia quem tivesse contato com essa literatura pela primeira vez, como Talita Santos, 22 anos, que faz cursinho no Pré-Vestibular Quilombola e pretende estudar Engenharia Civil no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Bahia (Ifba). “Meu interesse é ampliar para ter conhecimento, porque eu não conhecia a obra. Depois que entrei no cursinho, comecei a me interessar pelas causas negras e quilombolas”, contou a estudante.

‘Aprofundar a democracia’ – No entender do secretário municipal de Governo, Edwaldo Alves, são justamente os jovens os principais beneficiários da conversa com a escritora. “Todos esses jovens que hoje escutaram a Conceição vão sair com uma consciência maior do papel que deve ter o povo brasileiro na construção da igualdade racial, na justiça social e na necessidade de aprofundarmos cada vez mais a democracia e diminuirmos o preconceito que ainda existe na nossa sociedade”, afirmou.

Segundo Alves, a parceria com a Prefeitura se justifica pela importância das “Escrevivências”. “Um evento importante como esse colabora para que o Governo Municipal continue, cada vez mais, desenvolvendo uma administração pública associada ao que há de melhor na sociedade”.

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