Creas Rural debate direitos da mulher

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Os profissionais das equipes multidisciplinares dos Centros de Referência Especializada (Creas) que atuam na zona rural participaram, nesta semana, de uma capacitação sobre direitos da mulher. A atividade foi realizada pelo Centro de Referência da Mulher Albertina Vasconcelos (Crav) e pela Coordenação de Políticas para Mulheres. Esta foi uma oportunidade para esclarecer questões acerca do assunto, fortalecer a Rede de Proteção a Mulher no município e nortear o trabalho dos Creas.

“Com essas ações, fortalecemos o trabalho dos equipamentos públicos municipais e estaduais e os mais de 50 serviços que ofertam um atendimento de forma integral às mulheres vítimas de violência e aos seus familiares, de modo a incentivar as mulheres a se tornarem cada vez mais protagonistas na garantia de seus direitos”, ressaltou a coordenadora de Política para Mulheres, Elza Mendes, explicando também que a escolha dos Creas Rurais se deu por conta das situações de violência também ocorrerem no interior da cidade.

Em uma roda de conversa, o tema foi tratado de forma clara e dinâmica, e os profissionais presentes conheceram os trâmites legais necessários para um melhor encaminhamento. “A gente sabe que existe uma rede, e que é preciso passar por todos os trâmites, daí a importância da atividade”, destacou a educadora social do Creas Rural de José Gonçalves, Maryanna Nascimento.

“O nosso papel é fazer com que essa vítima desenvolva estratégias de enfrentamento da violência. A capacitação vai nos levar ao entendimento do tempo necessário para resolução do problema. A partir daí a gente vai conduzir esse caso de uma forma diferente”, avaliou a psicóloga do Creas Rural, Ivonilce Dantas.

Mudança de pensamento O grande desafio no combate à violência contra a mulher é desmitificar o assunto, segundo a juíza titular da Vara da Violência Doméstica, Julianne Nogueira. “A violência doméstica é complexa e não atinge somente a mulher, mas toda a família. O problema que acontece no âmbito familiar reflete no filho e ele reproduz esse modelo de violência na sociedade, a visão que ele tem da mulher é distorcida”, comentou.

A delegada titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Vitória da Conquista, Decimária Cardoso, colocou que o número de mulheres que procuram a Delegacia em decorrência da violência psicológica é bem menor, quando comparada ao quantitativo de agressão física, segundo ela, fruto da cultura de naturalização da violência de gênero. “A ferramenta de combate à violência começa pela informação, daí a importância de debater o tema, porque isso começa a mudar a mentalidade das pessoas. É importante trabalhar a questão da violência doméstica com as crianças e jovens para que as futuras gerações tenham uma visão diferente, sobretudo da violência de gênero”, afirmou a delegada.

Ronda Maria da Penha – Diante da realidade da zona rural e suas especificidades, os profissionais que atuam nos Creas comemoraram o anúncio feito pela juíza Julianne Nogueira, sinalizando positivamente sobre as negociações para implantação da Ronda Maria da Penha, com o objetivo de proteger vítimas de violência doméstica que solicitarem à Justiça medida protetiva. Mais uma iniciativa que deve contribuir com a política de esclarecimento dos direitos da mulher.

Outra conquista importante dentro desse contexto é a inovação implementada pela Vara de Violência Doméstica em Conquista, na aplicação da medida protetiva independente da instauração do processo, partindo do entendimento que a proteção da vítima é um direito que deve ser assegurado pelo Estado.

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