‘Cada dia é como se eu estivesse começando agora’, diz Mauro Azevedo, motorista da Prefeitura desde 1979

Ele trata com carinho tanto os colegas de trabalho quanto os automóveis que passam por suas mãos

“Moço, que carro conservado é esse?”. É o que costuma dizer quem entra na Ford Ranger modelo 2007 que serve à Vigilância Sanitária, divisão ligada à Secretaria Municipal de Saúde. De imediato, sente-se o perfume do interior do veículo. Da mesma forma, travas, filtro de ar, fechaduras, limpadores e acessórios estão em perfeito funcionamento.

Em nove anos de uso a serviço da Prefeitura de Vitória da Conquista – cerca de 213 mil quilômetros rodados – o carro nunca esteve envolvido em nenhum acidente. E, ao longo de todo esse tempo, o automóvel sempre esteve sob a responsabilidade Mauro Azevedo Santos, 59 anos de idade e 37 como motorista da Administração Municipal.

À exceção dos períodos em que tira férias, durante os quais o veículo fica sob os cuidados de colegas de sua confiança, pode-se dizer que as únicas impressões digitais encontradas no volante são as de suas próprias mãos.

“A gente zela mais do que o nosso próprio carro, porque é a nossa ferramenta de trabalho. Hoje mesmo fui levar para dar uns ajustes e a manutenção de sempre, para chegar no trabalho e não dar problema”, diz Mauro, que é natural de Nova Canaã, mas vive em Vitória da Conquista desde 1966. É assim que ele explica o costume de se antecipar aos problemas mecânicos e cuidar para que o ambiente interno do carro esteja sempre agradável.

‘Muita amizade’ – O zelo parece ser semelhante àquele com que Mauro tratou aquele Fiat 147, ano 1977. Foi esse o primeiro carro dirigido por ele na Prefeitura, em 24 de setembro de 1979, quando tinha 22 anos. Em toda a sua vida adulta, o motorista não teve outro emprego fixo. A única outra ocupação que exerceu foi na adolescência, quando ajudava o pai no balcão da mercearia e da barraca que a família mantinha na feira.

Poucos servidores têm o mesmo tempo de serviço que Mauro. Ele é um dos que foram tornados efetivos por terem entrado para o serviço público municipal na condição de celetistas, antes que a mudança na legislação obrigasse as Prefeituras a admitir novos servidores através de concursos públicos.

“É meu primeiro e único emprego, e com muita dedicação. Faço o que gosto”, conta Mauro, que já serviu a vários setores da Administração Municipal. Dirigiu diversos tipos de caminhões e veículos de médio e pequeno porte, até se estabelecer na Vigilância Sanitária, onde trabalha desde 2.000. “Aqui é uma rotina de muita amizade. Os colegas tratam a gente muito bem, é um tratamento humano. E a gente retribui esse tratamento”, relata.

‘Família’ – Durante a semana, Mauro é um dos motoristas que conduzem a equipe da Vigilância Sanitária na tarefa diária de promover inspeções em feiras livres, mercados, bares, restaurantes, hospitais, farmácias, etc. A depender da escala de trabalho, vai ao batente também nos fins de semana. Ele estima que percorra aproximadamente 600 quilômetros por semana e até 1.500 por mês, embora ressalte que esses números podem variar de acordo com as demandas do setor.

Quando não está trabalhando, pode ser encontrado invariavelmente em apenas dois outros lugares: sua casa, onde mora com a esposa e as duas filhas do segundo casamento (ele tem outros três do primeiro), e a Igreja Assembleia de Deus, que frequenta há quase quarenta anos. Em geral, não costuma frequentar outros lugares. “Não tem coisa melhor do que o lar da gente. Estar com a família é bom demais”, diz.

Quanto às suas perspectivas futuras, o servidor naturalmente diz querer “que melhore”. E reconhece que, no aspecto profissional, a situação tem seguido uma tendência positiva nas últimas duas décadas. “Mesmo com esse tempo todo, cada dia, para mim, é como se eu estivesse começando agora”, garante.

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