2 de Fevereiro. Dia de festa no mar. Já em Vitória da Conquista a festa foi na praça mesmo. Certamente, o Rio Vermelho, em Salvador, ainda estava movimentado com as celebrações dedicadas a Iemanjá quando os primeiros foliões do bloquinho Algazarra começaram a chegar para o seu ensaio aberto, neste sábado, na Praça Guadalajara, em Conquista.

Faltando menos de um mês para o carnaval, a praça foi palco para uma prévia do que está por vir. Organizado pela Revista Gambiarra e o coletivo Xcânia, com apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, o pré-carnaval teve do frevo ao samba de roda, com discotecagem e clássicos da axé music.

“O que nos motiva é a paixão pelo carnaval. A gente sempre acreditou que Conquista tem potencial para um pré-carnaval, porque muita gente viaja no feriado e, quando chega fevereiro, a gente fica naquela ânsia de se divertir, curtir o carnaval, ir pra rua”, afirma a jornalista e produtora Ana Paula Marques.

“Nossas referências são os carnavais de Salvador, de Recife, a música afro, as marchinhas, as cirandas, o frevo, então a gente quer trazer um pouquinho dessa cultura popular pra Vitória da Conquista e que é também da cidade”, completa ela, que apresentou ao público a banda Algazarra, grupo formado por carnavalescos veteranos especialmente para o bloquinho.

Com Petrúcio Marques no comando, a banda abriu as apresentações com marchinhas e frevos e fez o público dançar. “É muito bom essa volta do carnaval. É uma grande alegria. O meu repertório tem mais de 200 músicas que se a gente for tocar não tem limite não. A história do Brasil é isso aí, por essas músicas a gente sabe o que aconteceu naquele tempo. Isso é cultura pura!”, diz o cantor, que foi acompanhado pelos músicos Juraci, Danga e Sid.

Um dos pontos altos da festa foi no entardecer, com a chegada do grupo de samba de roda Negras do Bêco de Vó Dôla, criado em 2013 no bairro Pedrinhas, por mulheres do axé, descendentes da matriarca que dá nome ao grupo. Formado por 30 mulheres, três ogãs (homens que tocam os atabaques) e 12 crianças, o grupo cantou, sambou e colocou o público pra sambar, ao som dos atabaques e do agogô, enquanto a alfazema perfumava a roda.

“Esse é o esquenta para o nosso carnaval e é muito importante para a nossa cultura, que a gente não pode deixar morrer nunca. Foi lindo, com força, o público interagiu de verdade. Ficamos muito satisfeitas”, comemorou uma das netas de Dôla, Edneide Gonçalves, “Cota”.

Pra quem foi à praça aproveitar a diversidade de ritmos e entrar no clima de carnaval, o bloquinho não deixou a desejar. “Essa cultura, esse ritmo, é mais comum em locais de praia, o que a gente não tem. Então, trazer isso pra gente, em época de férias, é maravilhoso pra curtir, sair com os amigos, se divertir a vontade”, festejou a estudante Monalisa Soledade.

Ao lado dela, o amigo também celebrava a prévia carnavalesca: “é importante trazer de volta as festas populares e culturais para os ambientes públicos, os jovens estão precisando de movimentos como esse para poder fazer novas amizades e novos laços”, justificou o estudante Carlos Henrique.

Após o ensaio, o Algazarra já está pronto para o seu cortejo que será no próximo dia 23 de fevereiro, saindo da Praça Guadalajara (Praça da Normal).