Apresentações de Quadrilhas encantam o público do Arraiá da Conquista

Dos ritos religiosos às danças, quadrilhas juninas e paqueras: este é o São João. Uma festa tradicional cristã em que se comemora o nascimento de João Batista, profeta que, segundo a liturgia, batizou Jesus Cristo. Celebrada principalmente nos estados da região Nordeste, a festa se popularizou, tornando feriado o dia 24 de junho em diversas cidades.

Em Vitória da Conquista, a prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, realiza o Arraiá da Conquista, com shows abertos à população e ainda nos presenteia com mais uma opção de espaço no Gláuber Rocha: a Vila Junina. Num cenário que nos traz a nostalgia e a saudade dos antigos e tradicionais festejos juninos, podemos contemplar as casinhas de taipa e uma capela, construídas artesanalmente para nos oferecer a experiência mais próxima de uma típica vila no interior do Nordeste, nesta época do ano, que diga-se de passagem, pulsa e esbanja a cultura, o modo de vida e a tradição do nosso povo.

Quem passa pela Vila Junina aproveita para registrar o momento

E já que estamos falando de tradição, a utilização das estruturas é reservada aos comerciantes que possuem em seus serviços e produtos, as especiarias típicas do São João. As casinhas de taipa abrigam comércios que oferecem desde comidas típicas às bebidas, passando por artesanatos e cordel. Um verdadeiro espetáculo retado de bom em cultura nordestina! Além disso tudo, a música é um fator primordial: forró pé-de-serra sempre pra o povo se esquentar!

Casinhas de taipa lembram as casas das típicas vilas juninas no interior do nordeste

Um dos comerciantes da Vila Junina, seu Ailton Dias, em sua linda barraquinha, vende cordel e xilogravura. O cabra é arretado mesmo! Natural de Itarantim, ele se considera conquistense de coração por morar na cidade há mais de 30 anos. Com 53 anos, seu Ailton é pedreiro, poeta, pai de quatro filhos e avô de seis netos! Na sua barraca, centenas de cordéis e xilogravuras, dos mais variados tipos, despertam a curiosidade de todos que entram no local. Ele é um verdadeiro defensor dos festejos e tradições populares. “Essa é uma tradição que não pode acabar. Enfeites de bandeirolas, pular fogueira, soltar rojão… É a cultura do nosso povo que a gente luta pra manter viva! É a história do nordestino, do cangaço, do pobre, que precisa ser espalhada! Eu faço cordéis sobre Lampião para que conheçam a história dele, é a nossa história, afirma, entusiasmado.

Seu Ailton diz que luta para manter viva a cultura do nordeste

Para nossa surpresa, seu Ailton conta que trabalhou como pedreiro por um ano e sete meses na construção do Espaço Gláuber Rocha, no qual o Arraiá da Conquista acontece, e que naquele período nasceram vários cordéis como: “A História do Tião”, “O Lobisomem” e “O Retirante”. “O Retirante conta a história de Seu Carlos, um mestre de obras aqui da construção do Gláuber Rocha, que no cordel eu relatei a vida dele naquele período e das tantas idas e vindas de sua família, do estado de Pernambuco para Conquista”, finaliza.

A família Spósito reunida prestigiando a Vila Junina

Próximo à barraca de seu Ailton, estavam a arquiteta Cíntia Spósito e seu marido André Gonçalves, gerente comercial. Conquistenses, eles trouxeram o filhinho de dois anos, Artur Spósito e sua Vovó. Para eles, o São João é uma data importante, pois valoriza a cultura nordestina e que mais importante ainda é passar um pouco os costumes nordestinos para o pequeno Artur, que segundo Cíntia “já gosta do embalo e do ritmo das festas juninas”. Ela ainda acrescenta: “estamos aqui pela tradição e pela cultura, nós gostamos muito do espaço, da tradição da Vila Junina, tudo isso com o friozinho e o forrozinho é muito bom e também tem a proposta da festa de valorizar os artistas da região”, aprova a arquiteta.

Além da Vila Junina, quadrilhas de São João fazem parte da programação da festa e nos revela que cultura e tradição é algo que os nordestinos têm de sobra! Este é o Arraiá da Conquista! A cidade merece!