Quem passou pela Praça Tancredo Neves nesta manhã foi surpreendido por um detalhe pouco comum: panos brancos enlaçados nas árvores. Esses panos, na verdade, são os ojás, acessórios sagrados utilizados pelo candomblé. Eles foram colocados ali, na noite dessa segunda-feira (20), por praticantes de religiões de matriz africana. O ato é conhecido como Alvorada dos Ojás, realizado pela Rede Caminho dos Búzios, em parceria com a Prefeitura de Vitória da Conquista.

Os ojás são acessórios sagrados em rituais de candomblé e simbolizam a paz e a tolerância religiosa

O gesto simboliza um abraço pela paz. Ele vem para marcar o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, que acontece nesta terça-feira, 21 de janeiro. Por isso, a Alvorada dos Ojás é um pedido de paz, equidade e respeito para a comunidade conquistense; chamando a atenção para a necessidade de promover a tolerância e harmonia entre as diferentes correntes religiosas e de se combater o racismo.

“A Alvorada dos Ojás já é consolidada como uma importante agenda de luta e afirmação das religiões de matriz africana. Importante iniciativa que contribui para o debate sobre o enfrentamento ao racismo religioso em Vitória da Conquista e na Bahia, estado mais negro fora da África”, explica o coordenador de Promoção da Igualdade Racial, Roberto Silva.

Além de membros do Governo Municipal e da Rede Caminho de Búzios, também participaram do evento representantes do Conselho Municipal de Igualdade Racial. Os Ojás poderão ser vistos na Praça Tancredo Neves até o dia 25 de janeiro.

A data – O dia 21 de janeiro ficou instituído como o Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa em homenagem à yalorixá Gildasia dos Santos, que faleceu na mesma data, no ano 2000. Ela foi vítima de agressões morais em decorrência de intolerância religiosa, o que fragilizou a sua saúde até o seu óbito. Conhecida como Mãe Gilda de Ogum, ela foi fundadora do Ilê Axé Abassá de Ogum, Terreiro de Candomblé em Salvador, em 1988.