Aírton Bigode: ‘Cuidar da natureza é uma missão, um sacerdócio’

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O servidor conhece cada um dos 17 hectares da Reserva Florestal do Poço Escuro, onde trabalha há quase vinte anos

José Aírton Lopes Almeida costuma chegar cedo à Reserva Florestal do Poço Escuro, na Serra do Periperi, onde trabalha há quase vinte anos. Por volta das 8h, com os colegas de equipe, ele já vistoriou boa parte das trilhas existentes ali, que diariamente recebem a visita de dezenas de estudantes.

“É como se fosse uma casa. Tem que chegar cedo, ver o que precisa ser feito, ajeitar tudo para estar limpo para receber os visitantes”, diz o agente de fiscalização ambiental, a quem todos conhecem como “Bigode”. É fácil saber o porquê. Ele assegura que, em toda a vida, raspou o volumoso buço apenas uma vez: em 1974, quando se alistou no Tiro de Guerra.

Enquanto conclui a limpeza, Bigode recebe as primeiras visitas do dia – e não são de estudantes. O bando de macacos-pregos se aproxima para comer as bananas oferecidas pelos servidores. O líder deles, recém-batizado de Conkas (filho e sucessor do folclórico Futuca, hoje morador do Centro de Triagem de Animais Silvestres), recebe as frutas das mãos de Bigode e se afasta para comê-las em paz.

Quando finalmente os estudantes chegam para a visita, é Bigode quem os guia através da trilha, passando-lhes informações a respeito da Reserva Florestal do Poço Escuro. Fala sobre as nascentes do rio Verruga (as principais estão lá) e aponta características da fauna e da flora do local. Pelo caminho, os estudantes podem se deparar com cotias, corujas, micos, saguis, preguiças, saruês, etc.

Além dos sons da mata, permeiam a visita os cantos de sabiás, papa-capins, bem-te-vis, juritis e acauãs, apenas para citar algumas espécies. O grupo passa por sob as copas de imbaúbas, guanandis, ipês-amarelos e inúmeras outras árvores. Algumas delas, Bigode informa que estão ali há pelo menos trezentos anos. “Criança, quando vem aqui, fica deslumbrada”, conta o servidor.

‘Trabalho constante’ – Do lado direito, está o bairro Guarani. Do esquerdo, Petrópolis, Cruzeiro e Pedrinhas. No meio, a Reserva Florestal, com seus 17 hectares de mata ciliar. Bigode conhece cada palmo desse grotão. “Às vezes, você vai a um banco, aí chega uma criança e diz: olha lá, mãe, o vigia do Poço Escuro! Aí, eu me sinto útil para a sociedade”, diz.

Essa constatação o ajuda a desempenhar, diariamente, a tarefa de fiscalizar uma área tão vasta e tão importante para o município. “É um trabalho constante, sem cessar. Dia após dia, mês após mês, ano após ano. É uma missão, um sacerdócio. O criador fez tudo isto aqui para a gente cuidar”, afirma.

Apesar de trabalhar há tanto tempo no Poço Escuro, Bigode passou a maior parte de sua trajetória profissional em outros setores. Ele trabalha na Administração Municipal, de forma ininterrupta, desde 1983. Esteve nas secretarias de Serviços Públicos e de Obras (hoje, Infraestrutura Urbana). Mesmo antes disso, teve duas passagens pela Prefeitura. O servidor é do tempo em que se contratava via CLT (a partir de 1988, a nova legislação determinou que as Prefeituras deveriam admitir servidores por meio de concursos públicos. Os que já trabalhavam, como Bigode, foram efetivados).

‘Carinho e amor’ – Hoje com 61 anos, o servidor diz manter com seu local de trabalho “uma relação de carinho e amor”, até quando não está lá. “No fim de semana, fico louco para vir para cá”, confessa. Mas a vida em casa também o atrai. Afinal, é lá que ele encontra a esposa, com quem vive há mais de trinta anos, e os três filhos.

A não ser o Poço Escuro e sua casa, um dos poucos locais que ele frequenta é a igreja. “Minha vida é essa, não tem outro lugar. Não bebo, não fumo, não jogo. Se quiser me encontrar, vá à Igreja Batista Salém, domingo de manhã ou à noite”, conclui.

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