Agricultores de outros municípios visitam plantação de umbu-gigante mantida pela Prefeitura

A experiência foi vista de perto por visitantes vindos de Barra do Choça, Caraíbas, Belo Campo e Cândido Sales

O umbu-gigante pesa em média 140 gramas, enquanto o fruto convencional não costuma passar de 20. Por suas dimensões diferenciadas, que reforçam as expectativas em torno de seu potencial econômico, essa novidade tem recebido atenção especial da Prefeitura de Vitória da Conquista, que há cerca de oito anos investe na plantação e na produção de mudas da planta. O principal objetivo é fazer com que o hábito de cultivá-la seja difundido entre os agricultores da região, ainda acostumados aos umbuzeiros convencionais nativos.

Atraídos pelos ganhos financeiros que podem vir a partir do cultivo desse tipo especial de umbu, agricultores dos municípios de Barra do Choça, Caraíbas, Belo Campo e Cândido Sales estiveram em Vitória da Conquista na manhã da última terça-feira, 24, para uma reunião com técnicos da Secretaria Municipal de Agricultura. O encontro ocorreu na Fazenda Experimental, mantida pela Prefeitura na região da Pedra Mole, a cerca de 30 quilômetros do perímetro urbano, já na região do distrito de Bate-Pé.

“Estamos visualizando também a questão do meio ambiente, porque o umbu é uma planta nativa daqui do nordeste, e principalmente da Bahia”, explicou Helena Paula Moraes, do Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia (Cedasb), a ONG que intermediou o contato entre os agricultores e a Prefeitura de Vitória da Conquista.

Segundo Helena Paula, a questão ambiental é complementada pelo interesse dos pequenos agricultores em obter, com o umbu-gigante, ganhos maiores do que os que eles conseguem com suas culturas atuais. “Sabemos que muitos agricultores têm áreas degradadas. Queremos fazer o aproveitamento dessas áreas com o plantio de umbu. Além de recuperá-las, isso vai ajudar também na comercialização e numa renda a mais para o agricultor”, observou.

‘Trabalho incansável’ – Além de conversar com os integrantes da equipe e obter informações sobre técnicas de cultivo, os visitantes puderam ver de perto uma amostra do que é feito ali pela Prefeitura. Dos dez hectares que formam a área total da fazenda, quatro são dedicados somente a plantações do umbu-gigante. Em meio aos mais de 700 pés, existem 28 espécies diferentes da fruta. O local conta ainda com um viveiro no qual estão armazenadas aproximadamente 2 mil mudas. As mais jovens são de umbu convencional, e se tornarão capazes de produzir frutos gigantes quando passarem pela enxertia – procedimento que deve ser feito pelos técnicos em agosto deste ano. A produção de mudas tem um único objetivo: formar estoque para manter a plantação experimental e, ao mesmo tempo, distribuído-lo entre os agricultores que se interessarem pela nova cultura.

“O município está aberto para discutir as questões do umbu em nossa região. É uma maneira de difundir esse trabalho, que é feito de forma incansável pela Prefeitura”, afirmou o secretário municipal de Agricultura, Odir Freire, que destacou o fato de que esse trabalho, concebido originalmente para atender ao público local, vem sendo cada vez mais procurado por produtores de outras regiões: “Já tivemos aqui até agricultores da Paraíba, buscando informações e material genético para a reprodução dessa espécie tão importante para o semiárido brasileiro”.

‘Diversificar’ – Pois foi justamente esse o objetivo demonstrado pelos visitantes que estiveram na Pedra Mole. Como José Manoel Lima, que nunca havia imaginado que poderia obter lucros com os umbuzeiros que possui em sua propriedade, localizada na região de Lagoa do Estêvão, em Belo Campo. São mais de 40 pés nativos, cujos frutos, em sua maioria, são destinados a alimentar a criação de porcos. Ao fim da reunião do dia 24, ele já se mostrava interessado em reavaliar essa lógica. “Posso colher esses frutos para fazer uma polpa ou uma geleia, ou mesmo comercializar com alguém que se interessar por comprar. Tudo isso eu posso fazer”, contou.

Outro agricultor que se interessou foi Derivaldo dos Santos, da Fazenda Santa Clara, em Caraíbas. Em sua roça, além dos dez umbuzeiros nativos, já existem dois que ele mesmo plantou, por meio do processo de enxertia. A visita, segundo ele, foi para “buscar mais experiência”. Afinal, ele acaba de incluir o umbu em sua produção, da qual já fazem parte o feijão, o milho, o alface, o coentro e até a criação de abelhas. “Quero diversificar o máximo possível”, disse o agricultor.

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